O mistério da cloroquina

Que fim levaram os quase 600 mil comprimidos que o governo paulista jura não ter usado?

  • Augusto Nunes | Do R7

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP)

Governo do Estado de São Paulo - 03.08.2020

Nesta sexta-feira, o governador João Doria voltou a desdenhar do uso da cloroquina no combate à pandemia de covid-19. "Não era com a cloroquina que poderíamos ter salvado 100 mil vidas", ironizou Doria em mais uma entrevista coletiva. Ninguém sabe direito qual é a metodologia usada para calcular o número de vidas salvas pela estratégia de combate ao coronavirus adotada pelo governo paulista. Eram 90 mil há 10 dias. Subiram para 100 mil.

Pelo que Doria diz, o isolamento social foi a medida mais eficaz no esforço para conter o número de mortes. Quais teriam sido as outras? Mais: se a cloroquina não evitou um único óbito, é preciso explicar por que o medicamento foi utilizado no tratamento de pacientes internados em hospitais paulistas.

No site da secretaria da Saúde, as páginas reservadas a informações sobre a pandemia informam que, entre  março e maio, o governo estadual recebeu do Ministério da Saúde 986 mil comprimidos de cloroquina difosfato 150 mg. Em 16 de junho, data da última atualização do documento, restavam 40% desse total. Que fim levaram os quase 600 mil comprimidos que completavam o lote?

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