O revelador chilique de Boulos

Noivado com o PT muda a cabeça do candidato a prefeito

O líder dos sem-teto, Guilherme Boulos

O líder dos sem-teto, Guilherme Boulos

J. DURAN MACHFEE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Assim que se consumava outra invasão de um imóvel privado, Guilherme Boulos justificava o estupro do direito de propriedade com a lengalenga de sempre: a Constituição assegura o direito à habitação e determina que a propriedade privada tem de cumprir uma função social, repetia. E logo vinha outra ação ilegal, escoltada pela mesma falácia.

Num artigo publicado no dia 11 de agosto aqui no R7, limitei-me a registrar esse enfadonho numerito. Só acrescentei que o agora candidato a prefeito de São Paulo pelo Psol terá de explicar o que fará, caso seja eleito, quando confrontado com invasões que teima em chamar de "ocupações". Ficará do lado da lei ou se aliará aos violadores da Constituição?

Imaginei que o líder do MTST faria o de sempre: oferecendo às câmeras o lado esquerdo do rosto (alguém decerto lhe disse que assim fica melhor no retrato),  reprisaria o falatório do candidato à Presidência na campanha de 2018. Mas desta vez não foi assim. Boulos, quem diria, alguma coisa aprendeu com o fiasco nas urnas. Com 617 mil votos (0,58% do total), o candidato do Psol amargou um desmoralizante 10° lugar, bem abaixo do Cabo Daciolo.

A linguagem grosseira avisa que a alma é a mesma. Mas a ênfase com que repeliu a expressão "estuprador do direito de propriedade" informa que Boulos, entusiasmado com o apoio de antigos militantes do PT, começou a moderar a linguagem. Ele ainda fala em aumentar impostos pagos por gente rica, reestatizar empresas de telefonia e revogar as reformas ocorridas no governo Temer. Mas sempre poderá dizer que isso é coisa a ser feita por presidentes da República, não por um prefeito.

Simulando indignação, Boulos prometeu processar-me. Ele faz isso não em busca de justiça, mas de dinheiro. Em todas as ações, infiltra um pedido de indenização por danos morais. Qualquer quantia permite ficar mais algum tempo sem trabalho regular.

O chilique e ação indenizatória escancaram o caminho a ser seguido pelos candidatos interessados em deixá-lo embaraçado em debates eleitorais. Boulos precisa explicar de onde vem o dinheiro que lhe garante a sobrevivência. E terá de enfrentar a pergunta inevitável: Se virar prefeito, vai continuar defendendo o estupro do direito de propriedade?

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