Os culpados pelas manchas negras não estão no Brasil
O país é a grande vítima do crime provocado pelo vazamento de petróleo cru venezuelano
Augusto Nunes|Do R7 e Augusto Nunes

É verdade que o governo brasileiro deveria ter reagido com mais agilidade e vigor aos primeiros sinais da catástrofe em gestação. Também ficou evidente a precariedade do instrumental à disposição das autoridades incumbidas de reduzir os estragos provocados pelo derramamento de duas mil e quinhentas toneladas de petróleo cru venezuelano no oceano Atlântico.
Feitas tais ressalvas, é preciso enfatizar que só cretinos fundamentais e oportunistas sem cura encontram motivos para culpar o Brasil e seus governantes pela chegada das manchas negras ao litoral nordestino. Nessa história torpe, somos as vítimas. Os culpados são outros.
A lista dos delinquentes começa pela empresa proprietária do navio grego que transportava a carga assassina. Seus donos, sabe-se agora, também se envolveram no escândalo do Petrolão. São criminosos reincidentes à espera de castigos merecidíssimos.
Que produto é esse com tamanho poder destrutivo, capaz de viajar abaixo da superfície do mar por léguas infinitas? Como pode um único navio espalhar o pesadelo por tantos milhares de quilômetros?
Espero que ambientalistas nativos e entidades estrangeiras suspendam por algum tempo a discurseira vigarista e ajudem ao menos a buscar respostas para essas perguntas. O que houve aqui poderia ter ocorrido em qualquer país. O problema é mundial. E a culpa não é nossa.
