Carro alegórico: qual a origem dos veículos que movimentam o Carnaval?
Do carrum navale aos corsos e carros alegóricos, o automóvel se adaptou às mudanças da festa mais popular do Brasil

O carnaval é o maior feriado informal do calendário brasileiro. E parte importante dessa festividade está na passagem dos carros alegóricos, sejam em blocos de rua, sejam nos famosos desfiles de escolas de samba principalmente na cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os veículos que hoje são praticamente chassi e motores de caminhões ou ônibus, tem uma origem bastante curiosa no mundo dos automóveis.

O carnaval sempre foi uma festa popular no Brasil. Derivada da Europa, o Carnaval derivado dos entrudos se popularizou aqui a partir de 1850 no Rio de Janeiro. A partir dos carrum navale, que eram barcas decoradas que na navegam no Tâmisa, Reino Unido, decoradas com fitas e máscaras, a ideia ganhou um tom diferente no Brasil. Em 1854, os primeiros carros puxados por animais deram o tom do carnaval no Brasil. Para evitar a sujeira das ruas em meio às roupas de linho e fantasias coloridas, o carro de alegoria levava os foliões mais ricos evitando as brincadeiras com os populares.

À medida em que as carruagens se tornaram mais populares entre as elites, sobretudo em São Paulo, os primeiros carros alegóricos inspirados nos barcos britânicos passaram a fazer parte dos corsos.

Nessas passagens primeiro de carruagem e depois a bordo de automóveis, os corsos eram o carnaval itinerante em boa parte das principais ruas nas grandes cidades do Brasil. A partir dos corsos, os foliões fantasiados jogavam confete, serpentina e lança-perfume uns nos outros, representando uma brincadeira elegante da elite, inspirada nas batalhas de flores europeias.

Conforme os automóveis se popularizavam, também cresciam os desfiles e as agremiações de escolas de samba. No Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre, as principais avenidas recebiam blocos de carnaval já com veículos equipados com caixas de som, o que depois se tornaria popular nos trios elétricos.

Nos anos 1970 com a “Caetanave”, Caetano Veloso trouxe música ao vivo para as ruas de Salvador e o movimento do trio elétrico estava criado sendo popular até hoje. A partir dessa época e também nos grandes desfiles de escolas de samba, os automóveis passaram a ser substituídos por estruturas e chassi com motores diesel.

Até hoje, os carros alegóricos usam a mesma estrutura e são derivados, quase sempre de caminhões ou ônibus em desuso.
No sambódromo, os carros alegóricos são parte importante do Carnaval. Os motores diesel e as estruturas recebem complexas soluções de montagem de andaimes, luzes e até efeitos com água e movimento. Assim, o automóvel segue sendo parte importante da festa mais popular do Brasil.
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