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Carros elétricos estão perdendo a força no mundo? 

Preços altos, recuos nas metas de eletrificação em vários países e barreiras protecionistas fazem indústria repensar eletrificação

Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

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Carros elétricos: qual será o futuro?
Carros elétricos: qual será o futuro?

Nos últimos dias, temos observado na indústria uma reação bem forte contra a entrada de veículos elétricos em vários mercados. Globalmente, novos cenários, como a falta de energia limpa disponível, barreiras protecionistas de alguns mercados contra marcas chinesas e até mesmo preços altos ao consumidor, têm levantado dúvidas sobre a eletrificação a passos largos.

Na França, fabricantes como Renault, Citroën e Peugeot disseram que a necessidade de equilibrar a concorrência levará a uma cobrança maior de impostos sobre carros mais baratos vindos da Ásia. A ideia é conter a invasão dos elétricos da Great Wall, BYD e Tesla (cujos carros são feitos na China).


ID.3 tem produção suspensa
ID.3 tem produção suspensa

Nos EUA, a cobrança de altos impostos inviabiliza a entrada de muitos carros importados no maior mercado do mundo. Mesmo com o crescimento da oferta de modelos elétricos, eles ainda representam apenas 16% em comparação a modelos a combustão. Embora a indústria se prepare para a eletrificação no futuro, o tempo para converter carros a combustão em modelos elétricos será mais longo.

Da mesma forma, os altos custos dos carros elétricos diante dos modelos a combustão levaram a uma queda das vendas nos últimos meses. Fabricantes como a Ford, nos EUA, interromperam o plano de construção de uma fábrica de baterias em Michigan. Na Europa, a Volkswagen adiou o início da produção do ID.7, sedã sucessor do Passat, e disse que, por "falta de demanda", estaria suspendendo temporariamente a produção de dois modelos elétricos: o ID.3 e o Cupra Born.


E por que isso aconteceu?

Hyundai Ionic 5 é o compacto entre os mais lembrados pelo público nos EUA
Hyundai Ionic 5 é o compacto entre os mais lembrados pelo público nos EUA

Os movimentos a favor dos carros elétricos levaram a aumentos de preço além da capacidade de compra do consumidor. No Brasil, o carro elétrico mais barato custa R$ 119 mil (Caoa Chery iCar), e outros modelos saem a partir de R$ 150 mil. São mais baratos do que antes, mas a renda média do brasileiro está muito aquém de um carro novo, ainda mais se for elétrico.


Da mesma forma, há dúvidas sobre as fontes de energia disponíveis para a recarga de elétricos. No Brasil, a posição é confortável, com 83% da produção de eletricidade vinda de fontes limpas e renováveis. Mas na Europa, mesmo com o crescimento da transição energética, apenas 42% da eletricidade vêm de fonte renovável. Desde a pandemia, o custo de geração da energia sem gás importado da Rússia fez as contas de luz triplicarem de preço em muitos países.

Tudo indica que esse novo sistema possa ter células de baterias com capacidade de 100 Ah
Tudo indica que esse novo sistema possa ter células de baterias com capacidade de 100 Ah

Assim, muitos países já deram passos atrás na questão dos carros elétricos. Em vários países, houve adiamento na proibição da venda de carros a combustão. Recentemente, o Reino Unido (que não faz parte da UE) adiou essa meta em cinco anos. E as marcas de carros já vêm anunciando novos planos de carros híbridos como um primeiro passo para a transição rumo aos elétricos.


Dolphin, atualmente o elétrico mais vendido do Brasil, com 5 mil encomendas
Dolphin, atualmente o elétrico mais vendido do Brasil, com 5 mil encomendas

No Brasil, as montadoras tradicionais reclamam com a Anfavea sobre a isenção de impostos na ordem de 35% para carros elétricos. Se o governo acatar a reclamação e subir a taxação nessa ordem, os carros importados, que vêm ganhando espaço, vão sofrer um duro golpe, ficando bem mais caros.

Carro híbrido da Great Wall vem superando as vendas neste segmento, à frente de Toyota e Jeep
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Assim, mesmo com o objetivo de chegarmos a uma meta de eletrificação total por menos emissões de gases nocivos ao meio ambiente, fica claro que haverá mais pontos de parada e de ajustes nessa meta por parte dos países desenvolvidos. Imagine em países com deficiências grandes de infraestrutura, como o Brasil.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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