EUA proíbem uso de chips e software chineses em carros a partir de março de 2026
Medida começa a valer em duas semanas e pode ser mais efetiva que tarifas

A administração dos Estados Unidos anunciou uma medida que reformula regras do setor automotivo global e impõe restrições inéditas ao uso de tecnologia chinesa em veículos vendidos no país. A partir de 16 de março de 2026, será proibida a venda e importação de carros que contenham microchips ou softwares desenvolvidos, projetados ou conectados à cadeia chinesa, incluindo fornecedores sob influência direta ou indireta da China. A administração Donald Trump vem impondo medidas restritivas contra a indústria de veículos da China.

A regra, formalizada pelo Bureau of Industry and Security (BIS) do Departamento de Comércio norte-americano, foi motivada por preocupações com segurança nacional e a proteção de dados sensíveis — como informações pessoais, localização, câmeras e sistemas conectados à internet dos veículos. Sob a nova norma, fabricantes e fornecedores automotivos terão de auditar suas cadeias de suprimentos e certificar que nenhum componente eletrônico ou software integrado aos carros novos tenha origem chinesa, mesmo que parcialmente.
Na regra entra em vigor nos próximos dias
O texto oficial do governo estabelece ainda um regime de exceções para componentes e sistemas desenvolvidos antes de 16 de março de 2026, desde que não tenham sido atualizados, modificados ou mantidos por entidades chinesas, incluindo empresas localizadas em Hong Kong ou Macau. Veículos já vendidos nos Estados Unidos antes da data continuarão em circulação normalmente, mas novos modelos deverão cumprir integralmente os critérios de origem tecnológica para serem homologados.

A proibição abrange tanto hardware — como unidades de conectividade, chips de telemetria e módulos de comunicação — quanto software embarcado ou conectado à nuvem, como sistemas de entretenimento, GPS, assistentes de direção e softwares de assistência avançada ao condutor (ADAS). A exigência de certificação colocou montadoras em uma corrida contra o tempo para revisar seus sistemas e garantir conformidade até o prazo limite.
Não só “carros chineses”
A medida não se limita a carros de origem chinesa; vários modelos de marcas globais contam com tecnologia fornecida por empresas chinesas ou integradores de software com participação chinesa, o que poderá complicar a importação e venda de veículos nos Estados Unidos mesmo de grupos automotivos tradicionais.
Críticos da regra argumentam que a abordagem pode gerar tensões adicionais nas relações comerciais entre Washington e Pequim, além de pressionar fornecedores automotivos que dependem de cadeias globais de software. Por outro lado, autoridades americanas defendem que a iniciativa vai além de tarifas e barreiras comerciais tradicionais, e visa proteger a infraestrutura digital e a privacidade dos consumidores norte-americanos.
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