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Montadoras europeias recuam da condução autônoma nível 3 por causa dos altos custos

Stellantis, Mercedes e BMW manterão nível 2 em função do preço alto dos dispositivos

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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BMW concluiu que o conjunto atual de assistência de nível 2 já cobre boa parte das situações BMW/Divulgação

Nos últimos meses, montadoras europeias têm recalibrado suas estratégias de carros com condução autônoma de nível 3, em uma clara resposta ao alto custo de desenvolvimento, complexidade técnica e baixa demanda por esse tipo de tecnologia. Marcas como Mercedes Benz, BMW e Stellantis estão recuando sobre a aplicação do nível 3 mesmo em carros mais carros.

BMW decidiu remover o sistema de condução autônoma de Nível 3 do novo Série 7 BMW/Divulgação

A movimentação marca uma mudança de foco no setor premium e traz dúvidas sobre o futuro da condução quase autônoma nos veículos mais caros da categoria.


BMW sem condução autônoma nível 3 no Série 7


Uma das mudanças mais recentes e emblemáticas vem da BMW, que decidiu remover o sistema de condução autônoma de Nível 3 do novo Série 7 — seu sedã de topo de linha. Isso significa que a tecnologia que permite ao veículo assumir o controle em certas situações e liberar mãos e olhos do motorista será substituída por um pacote avançado de assistência de Nível 2 na linha 2027 do modelo.


BMW Série 7 atual tem opção de autonomia nível 3 BMW/Divulgação

A marca bávara admitiu custo elevado de fabricar e validar um sistema nível 3 completo, que exige sensores caros como LiDAR, computação robusta e certificações de segurança específicas por mercado. No Série 7 atual, a opção de autonomia nível 3 era vendida por cerca de € 6.000 (aprox. R$ 36 mil). Já o pacote de nível 2 mais avançado, que será adotado, custa aproximadamente € 1.450 (R$ 8,8 mil) — quase um quinto do valor.

Mercedes-Benz foi uma das pioneiras a oferecer condução nível 3 Mercedes-Benz/Divulgação

Além disso, a BMW concluiu que o conjunto atual de assistência de nível 2 já cobre boa parte das situações que os clientes realmente usam no dia a dia, como condução em autoestradas, mudanças de faixa automáticas e navegação assistida em tráfego urbano.


Mercedes e Stellantis

A decisão da BMW não é isolada. Mercedes-Benz, que foi uma das pioneiras a oferecer condução nível 3 em alguns modelos, também passou a reforçar soluções mais acessíveis de Nível 2+ em lançamentos recentes, focando em sistemas que entregam boa assistência ao motorista sem os custos e limitações legais de um nível 3 completo.

Mercedes-Benz passou a reforçar soluções mais acessíveis de Nível 2+ Mercedes-Benz/Divulgação

Enquanto isso, Stellantis optou por interromper seus projetos de condução autonôma nível 3, citando custos extremamente altos, desafios técnicos e incertezas quanto à aceitação do consumidor. Em vez de desenvolver internamente, o grupo passou a trabalhar com parceiros externos e a priorizar sistemas de assistência menos complexos.

Por que o nível 3 perdeu apelo entre as europeias?

A principal razão para esse movimento é econômica. Desenvolver e homologar um sistema de condução autônoma de Nível 3 custa centenas de milhões de euros, envolve hardware sofisticado e exige certificações rigorosas mercado a mercado. Além disso, a aplicação prática é limitada — em muitas estradas e situações reais, o sistema pode não ser autorizado ou fica restrito a condições muito específicas de uso.

Carros da Mercedes-Benz já contam com sistemas ADAs Mercedes-Benz/Divulgação

Outra questão é o contexto regulatório europeu, ainda fragmentado e mais lento na aprovação de sistemas de autonomia avançada. Essa combinação de altos custos, complexidade e pouca vantagem percebida pelo consumidor fez com que muitas montadoras optassem por reforçar sistemas de nível 2+ ou focar diretamente em pesquisas para níveis ainda mais avançados, como o nível 4.

Dessa forma as montadoras recuam de sua estratégia de carros autônomos mostrando que talvez essa solução tenha chegado ao limite em seus veículos.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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