Montadoras europeias recuam da condução autônoma nível 3 por causa dos altos custos
Stellantis, Mercedes e BMW manterão nível 2 em função do preço alto dos dispositivos

Nos últimos meses, montadoras europeias têm recalibrado suas estratégias de carros com condução autônoma de nível 3, em uma clara resposta ao alto custo de desenvolvimento, complexidade técnica e baixa demanda por esse tipo de tecnologia. Marcas como Mercedes Benz, BMW e Stellantis estão recuando sobre a aplicação do nível 3 mesmo em carros mais carros.

A movimentação marca uma mudança de foco no setor premium e traz dúvidas sobre o futuro da condução quase autônoma nos veículos mais caros da categoria.
BMW sem condução autônoma nível 3 no Série 7
Uma das mudanças mais recentes e emblemáticas vem da BMW, que decidiu remover o sistema de condução autônoma de Nível 3 do novo Série 7 — seu sedã de topo de linha. Isso significa que a tecnologia que permite ao veículo assumir o controle em certas situações e liberar mãos e olhos do motorista será substituída por um pacote avançado de assistência de Nível 2 na linha 2027 do modelo.

A marca bávara admitiu custo elevado de fabricar e validar um sistema nível 3 completo, que exige sensores caros como LiDAR, computação robusta e certificações de segurança específicas por mercado. No Série 7 atual, a opção de autonomia nível 3 era vendida por cerca de € 6.000 (aprox. R$ 36 mil). Já o pacote de nível 2 mais avançado, que será adotado, custa aproximadamente € 1.450 (R$ 8,8 mil) — quase um quinto do valor.

Além disso, a BMW concluiu que o conjunto atual de assistência de nível 2 já cobre boa parte das situações que os clientes realmente usam no dia a dia, como condução em autoestradas, mudanças de faixa automáticas e navegação assistida em tráfego urbano.
Mercedes e Stellantis
A decisão da BMW não é isolada. Mercedes-Benz, que foi uma das pioneiras a oferecer condução nível 3 em alguns modelos, também passou a reforçar soluções mais acessíveis de Nível 2+ em lançamentos recentes, focando em sistemas que entregam boa assistência ao motorista sem os custos e limitações legais de um nível 3 completo.

Enquanto isso, Stellantis optou por interromper seus projetos de condução autonôma nível 3, citando custos extremamente altos, desafios técnicos e incertezas quanto à aceitação do consumidor. Em vez de desenvolver internamente, o grupo passou a trabalhar com parceiros externos e a priorizar sistemas de assistência menos complexos.
Por que o nível 3 perdeu apelo entre as europeias?
A principal razão para esse movimento é econômica. Desenvolver e homologar um sistema de condução autônoma de Nível 3 custa centenas de milhões de euros, envolve hardware sofisticado e exige certificações rigorosas mercado a mercado. Além disso, a aplicação prática é limitada — em muitas estradas e situações reais, o sistema pode não ser autorizado ou fica restrito a condições muito específicas de uso.

Outra questão é o contexto regulatório europeu, ainda fragmentado e mais lento na aprovação de sistemas de autonomia avançada. Essa combinação de altos custos, complexidade e pouca vantagem percebida pelo consumidor fez com que muitas montadoras optassem por reforçar sistemas de nível 2+ ou focar diretamente em pesquisas para níveis ainda mais avançados, como o nível 4.
Dessa forma as montadoras recuam de sua estratégia de carros autônomos mostrando que talvez essa solução tenha chegado ao limite em seus veículos.
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