Nissan vende fábrica para a Chery em meio a reestruturação global
Funcionários devem ser mantidos em transição; Nissan já fechou unidade no México

A Nissan Motor Co. confirmou a venda de sua fábrica em Rosslyn, África do Sul, para a chinesa Chery South Africa, encerrando 60 anos de produção local da marca japonesa no país. A transação está programada para ser concluída até meados de 2026 e faz parte de um amplo plano de reestruturação global diante de uma crise financeira prolongada da Nissan.
Crise global e reestruturação industrial
Nos últimos 18 meses, a Nissan vem implementando um plano de ajustes que inclui a redução de sua rede global de fábricas de 17 para 10 unidades, cortes de gastos e reorganização de sua linha de produtos. A empresa reportou prejuízos significativos e cancelou investimentos futuros como parte de uma estratégia para conter perdas e recuperar eficiência operacional.

A crise incluiu o término das negociações para uma fusão com a Honda, mudanças na liderança executiva e um programa de cortes de cerca de 20 mil empregos mundo afora, além da venda ou encerramento de unidades industriais em países como Espanha, Tailândia e Japão.

No México, a Nissan também tem promovido ajustes industriais. A marca confirmou o fechamento da planta CIVAC, em Cuernavaca (Morelos), que opera desde a década de 1960 e foi sua primeira fábrica fora do Japão, com a produção sendo transferida para o complexo de Aguascalientes até o final do ano fiscal de 2025/26. Vale lembrar que Morelos não era a maior unidade e sim uma antiga fábrica o que não teve grande relevância econômica na região.

Além disso, a joint venture COMPAS, em Aguascalientes, compartilhada com a Mercedes-Benz, também está programada para encerrar suas operações em maio de 2026, após quase uma década produzindo veículos em conjunto, em mais um movimento associado à reestruturação global.

Esses ajustes no México e na África do Sul refletem uma estratégia de concentração de produção e redução de custos diante da intensa concorrência global e desafios financeiros internos.
No Brasil, Nissan segue crescendo
No Brasil, a Nissan opera com uma fábrica em Resende que tem importância para a região. A marca tem mantido sua presença com modelos como o Kicks, Kait (Kicks de primeira geração reposicionado), Sentra, Versa e a Frontier, mas enfrenta forte concorrência e necessidade de alinhamento a estratégias regionais de produto e custo.

O fechamento de unidades industriais e o redimensionamento da presença produtiva global podem impactar a competitividade da Nissan no Brasil, já que a empresa depende de operações em outras regiões para abastecer o mercado sul-americano.
Competição em evolução e ofensiva chinesa
A venda da fábrica para a Chery também é um indicativo do avanço das montadoras chinesas no cenário global. A aquisição de plantas industriais de concorrentes tradicionais como a Nissan reforça a estratégia chinesa de consolidar presença internacional por meio de ativos produtivos já estabelecidos.

A Chery, por exemplo, já vinha expandindo sua atuação global, com operações na Europa e agora reforça sua entrada na África — uma das regiões tradicionais de produção e exportação automotiva.
Perspectivas futuras
A Nissan afirma que manterá importações e suporte ao cliente nos mercados onde encerra produção local, mas a estratégia reflete uma transição forçada para um modelo industrial mais enxuto. A intensificação da concorrência de fabricantes chineses, aliados à necessidade de adaptação a novas demandas do mercado (como veículos elétricos e tendências regionais), colocam a Nissan em um momento definidor para sua atuação global e em mercados como o Brasil.
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