Stellantis volta aumentar oferta de carros a diesel na Europa com queda dos elétricos
Vans de passageiros e até modelos premium e SUVs mantém versões diesel

A Stellantis iniciou a retomada de versões a diesel em seu portfólio europeu, marcando uma mudança de estratégia após a desaceleração das vendas de veículos elétricos no continente. O movimento envolve ao menos sete modelos de carros e furgões de passageiros e começou a ser implementado no fim de 2025, segundo informações apuradas pela agência Reuters junto a concessionárias e à própria montadora.

A decisão representa um ajuste relevante no plano de eletrificação do grupo, que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, e ocorre em um momento de revisão das metas ambientais na Europa, com regras de emissões menos rígidas e menor ritmo de adoção dos elétricos por parte dos consumidores.

“Decidimos manter os motores a diesel em nosso portfólio de produtos e, em alguns casos, ampliar a oferta de powertrains”, afirmou a Stellantis em nota. “Na Stellantis, queremos gerar crescimento e, por isso, estamos focados na demanda dos clientes.”
Demanda por elétricos cai na Europa
A Stellantis havia anunciado planos para que os veículos 100% elétricos respondessem por todas as suas vendas na Europa até 2030. No entanto, a montadora passou a rever o cronograma diante de fatores como custos elevados, redução de incentivos e limitações na infraestrutura de recarga em vários países do continente. Na prática apenas países nórdicos, regiões específicas da França e Alemanha, Portugal e Espanha adotaram a eletrificação em massa.

Vendas crescem porém menos do que o esperado
Em 2025, os veículos elétricos e híbridos plug-in responderam por cerca de 19,5% das vendas de carros novos na Europa. Já os modelos a diesel, apesar da queda contínua desde o escândalo do Dieselgate, ainda representaram aproximadamente 7,7% do mercado, mantendo espaço entre consumidores que percorrem longas distâncias e operadores de frotas.

Segundo a Reuters, a retomada do diesel também está ligada ao avanço das montadoras chinesas na Europa, cuja oferta está concentrada quase exclusivamente em veículos elétricos. Ao manter opções a combustão mais eficientes, a Stellantis passa a competir em um segmento onde esses fabricantes ainda têm presença limitada.

Além disso, modelos a diesel continuam apresentando custo inicial inferior ao de veículos elétricos equivalentes, além de maior autonomia em estrada, características valorizadas em mercados fora dos grandes centros urbanos.
Perdas bilionárias
A mudança de rota ocorre em meio a um processo mais amplo de revisão do plano industrial do grupo. A Stellantis anunciou encargos estimados em € 22,2 bilhões (cerca de R$ 140 bilhões) relacionados à reavaliação de investimentos em eletrificação, o que pressionou o desempenho das ações da companhia, levando os papéis a níveis próximos aos mais baixos desde a criação do grupo, em 2021, após a fusão entre FCA e PSA.
Apesar do ajuste, a montadora afirma que mantém o compromisso com a redução de emissões e com a transição energética, adotando uma estratégia mais flexível, que inclui motores a combustão, sistemas híbridos e veículos elétricos convivendo no portfólio.
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