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Anotei depois de ver uma cena na rua, sem dizer uma palavra, o casal me contou tudo

Um texto jornalístico e literário para adoçar seu começo de ano

Bloco de Notas com Gabriel Graciano|Gabriel GracianoOpens in new window

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Andei uns dez metros lentamente. Meu cachorro farejava como um maître analisa um vinho. Olhei novamente para trás, com todo o meu preconceito pendurado no pescoço. Foto gerada por AI/ Chatgpt

Caminhei mais tarde que o habitual com meu cão. É um compromisso que tenho com ele: sair de casa todos os dias.

Já passava das nove da noite quando, num canto escuro, em um hiato da iluminação pública, avistei um homem. Era simples. Meu senso comum fez vários julgamentos.


Ele estava de moletom azul velho, segurava uma sacolinha de mercado amarrada na mão e usava uma mochila desgastada. Estava parado, olhando para um prédio na Cunha Moreira.

Achei, achei mesmo! Que estava pedindo;


Que observava com más intenções;

Que era maluco.


Lembro-me de segui-lo com o olhar, sem planejar nada. Apenas pela suspeita.

O homem olhou de volta e virou o rosto. Passei com o alerta ligado pelo trecho apagado da rua. Ele, inerte, ali permaneceu.


Andei uns dez metros lentamente. Meu cachorro farejava como um metre analisa um vinho. Olhei novamente para trás, com todo o meu preconceito pendurado no pescoço.

O homem sorriu, olhando para o portão. Uma moça de cabelos longos, pretos e muito bonita, saltou sobre ele aos berros. Gritou forte, emocionada. Parecia esperar muito por aquela visita. Os dois ficaram abraçados, ela segurando o peso do próprio corpo, apoiada no homem em um abraço acalorado. Não sei qual é a história, nem quanto tempo não se viam.

Quanto vale ter uma pessoa que conta os minutos para te encontrar? Que grita por você?

O tempo parou para eles; a vida valeu a pena naquele instante. Eu estava mais bem vestido. Era a roupa do trabalho: uma calça preta nova, um tênis chique, um relógio smart, mas meu pescoço estava nu.

O homem, que aparentemente não vendia valor, vestia o colar do encontro esperado. Do grito de euforia da surpresa, da felicidade oportunizada pela materialização do amor. Dos corpos que se unem em uma troca de energia. Quanto vale ter uma pessoa que conta os minutos para te encontrar? Que grita por você?

Eu nunca vivi isso, mas entendi o motivo do rapaz da rua não se preocupar com a vaidade. A riqueza dele é outra.

Que em 2026 você possa encontrar os valores principais que são escondidos pelas vontades passageiras. Espero você neste ano!

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