As crianças foram encontradas mortas dentro de um carro no litoral de São Paulo
A necessidade da vigilância e o avanço do estatuto que protege os pequenos
Acordei às nove da manhã nesse dia. Tarde! Geralmente levanto às oito. Assim que liguei a TV e entrei no grupo da firma, percebi que seria tenso. Duas crianças mortas em um carro; em volta delas, uma comoção geral.

Nossos repórteres em cima do caso, toda a imprensa estava reunida na cidade. As investigações ainda estavam cruas e só os relatos da família pautavam as notícias.
As informações eram pesadas: marcas de agressão, suspeita de homicídio. Os dois meninos pequenos, de quatro e seis anos, foram achados em um veículo abandonado, com os vidros fechados, em um terreno. É uma área carente, com moradias irregulares, sem estrutura formalizada e que tem residências muito próximas, construções inacabadas. Um verdadeiro labirinto.
Os meninos sumiram na hora do almoço. Era um dia quente, de 30 graus, com sol e nenhuma nuvem que aliviasse o calor.
A avó paterna, responsável por eles, disse que deu falta das crianças assim que buscou um copo d’água e mobilizou a todos da comunidade para procurá-los.
Um domingo que demorou a acabar, só terminou à 00h45, hora da descoberta terrível: os corpos dentro do carro.
Eu não tive acesso a nada, mas imagino como a cena deve ter sido horrível. Quantas dores e dúvidas, junto à necessidade de senso de justiça, se misturaram às forças que mobilizaram a família. A segunda-feira recebeu a imprensa com o caos da situação. Os relatos são os mais variados e trazem à tona o pior dos cenários: crianças assassinadas e abandonadas dentro do veículo.
Crianças querem desbravar o mundo. O físico, cheio de armadilhas invisíveis, e o digital, cada vez mais perigoso.
O silêncio da Polícia Civil e Científica potencializa essas versões e deu fomento ao único material existente: a voz do povo.
Chego ao trabalho às 14h acreditando nisso tudo.
Fui gravar um outro assunto em Praia Grande e, depois disso, fiquei incumbido de tentar falar com alguma autoridade. Sem sucesso, busquei amigos que tinham conhecidos na delegacia.
Nos bastidores, a informação era outra. Nada de violento foi encontrado nas crianças. Eu não tinha uma fonte direta, nem relatório. Era apenas fofoca de pessoas em quem eu confiava, mas que não me bancavam isso. Não assinariam a informação.
Pensei com os meus miolos:
— É uma comunidade! Lá tem crime organizado e ele se estrutura para evitar alarde. Crimes dessa magnitude não acontecem nesses locais, geralmente.
Tudo fazia sentido! As mães desesperadas eram uma fonte, mas poderiam ser influenciadas pela emoção.
Até o fim da segunda, não tínhamos um veredito. Sabíamos que tudo poderia mudar em alguns dias.
Os corpos estavam na custódia da Polícia Científica, que iria analisar cada possibilidade.
E analisou. O laudo deve sair. Fontes já alertam para uma situação horrenda. Eles ficaram presos no carro e morreram sufocados. Vamos aguardar as novidades do caso.
Crianças precisam de vigilância porque querem desbravar o mundo. Tanto o físico, que tem labirintos e armadilhas, quanto o digital, que nos últimos anos se transformou no mais perigoso do planeta.
O país, desde 1990, exercita o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, com uma série de leis destinadas à dignidade, respeito e liberdade de menores de idade. É um avanço que reconheceu os beneficiados como indivíduos dotados de direitos e que, antes, para a legislação, eram objeto de proteção do Estado.
Um domingo que demorou a acabar .Só terminou à 00h45, com a descoberta terrível: os corpos dentro do carro.
Nos anos 90, não falávamos de internet como hoje. Depois do Marco Civil da Internet e da Lei Geral de Proteção de Dados, o país necessitava de um olhar jurídico para o ECA no campo digital. A lei foi votada e aprovada em 2025, mas entrou em vigor no dia 17 de março. Ela é importante porque divide a tutela das responsabilidades que garantem à internet um lugar seguro para crianças e adolescentes, com regras rígidas e controle mais efetivo.
As plataformas deverão ter meios de saber a idade dos usuários e dimensionar o acesso ao tipo de conteúdo exibido. Criar mecanismos de controle para os pais monitorarem os filhos e evitar conteúdos viciantes. A ideia é combater a violência e promover o uso saudável das redes sociais. As multas para empresas que desobedecerem à lei são milionárias.
O motivo do texto é terrível: falar do fim precoce da vida de duas crianças que só queriam brincar. Apesar da tragédia, quem permanece vivo e preocupado com o futuro do país precisa ver esperança nos avanços das leis de proteção dos mais vulneráveis.
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