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De ajudante de obra a repórter: como foi a minha jornada até a RECORD

Das escolhas de carreira às mudanças de cidade, a profissão que sigo hoje mudou os meus rumos

Bloco de Notas com Gabriel Graciano|Gabriel GracianoOpens in new window

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Eu olho para trás e só tenho uma resposta para dar: Deus existe! Não acredito que eu seja especial ou que fui o escolhido. Creio apenas em uma força que rege a ocasião e que vem da superioridade que conhecemos como Deus Divulgação/Arquivo pessoal

São 1h40 da manhã. Estou deitado na minha cama, no quarto de um apartamento alugado na cidade de Santos (SP). Moro aqui há três anos. Meu cachorro, que tem medo de chuva, está feito um tatu, percorrendo as entranhas do estrado, procurando algo para roer (coisa de cão mimado e com ansiedade).

Estava pensando qual seria o tema do texto e me peguei vendo a vida como ela é. Neste momento, sou uma pessoa sozinha em uma cidade grande e bem diferente da que cresci.


Nunca estive em Santos na vida, tampouco ouvia esse nome, exceto em músicas, como a do Mamonas Assassinas, saudoso grupo dos anos 90, ou do Roberto Carlos, cantor famosíssimo, sobre quem já escrevi aqui.

Para ser totalmente honesto, conheci Santos através da RECORD e estive na cidade uma única vez, a trabalho e como estagiário. Fui acompanhar uma gravação do especial de fim de ano. Bons tempos! Foram menos de seis horas na cidade e nunca mais.


Já na metade da década dos vinte, me vi perdido. A essa altura, minha avó já havia falecido; eu dividia casa com amigos.Foi um período bem sombrio na minha vida. Pensei que havia falido: sem dinheiro e sem trabalho, sem faculdade... Pensei besteira mesmo!

Era um período de São José dos Campos, que fica no interior de São Paulo. Uma cidade perfeita, aos moldes canadenses: ruas largas, muitas praças, limpeza, organização. Tudo muito ideal, que me deixava até desacostumado.

Fui morar lá a convite da minha avó América, que já se foi. Busquei e alcancei minha profissão naquele município. Foi onde cursei jornalismo, onde a RECORD me foi apresentada, onde meus sonhos floresceram.


Cheguei por lá em 2009. Só conhecia minha família e mais ninguém. Não tinha dinheiro, coisa contável nas mãos. De origem humilde, fui zerado para começar minha aventura. Nas primeiras semanas, trabalhei de ajudante de obra; um ex-marido de uma tia me ajudou com isso. Uma pessoa muito querida.

Eu trabalhava mais pela marmita, que era incluída no salário. Minha avó era péssima na cozinha e eu não queria dar trabalho. Acredite: o empreiteiro da obra fugiu e não pagou ninguém. O pagamento foi o que eu comi. Nem posso reclamar, mal sabia fazer as coisas.


Um dia, estava indo para a obra deitado dentro de uma caminhonete, na parte traseira. Lá, com outros “peões”, sendo um jovem de 20 anos, ouvi de um senhor que eu deveria tentar o telemarketing. Eu trabalharia pela mesma coisa e no ar-condicionado.

Achei boa a ideia e tentei mesmo; deu certo. Em pouco tempo, já fazia o treinamento, com um salário mínimo, em uma empresa grande. Fiquei lá por seis anos. De atendente, fui promovido e cheguei à supervisão. Foi lá que aprendi a lidar com gente, conhecimento que uso todos os dias.

A solidão é um ponto de vista, e o motivo deste texto é a projeção que o sonho alcança.Ele é revestido de sacrifícios, mas é um convite a novas conexões também.

Essa companhia de telecomunicação fechou as portas. Eu fui demitido pouco tempo antes de ela ir embora e ser vendida. Já na metade da década dos 20, me vi perdido. A essa altura, minha avó já havia falecido; eu dividia casa com amigos.

Foi um período bem sombrio na minha vida. Pensei que havia falido: sem dinheiro e sem trabalho, sem faculdade... Pensei besteira mesmo! Eu olho para trás e só tenho uma resposta para dar: Deus existe!

Não acredito que eu seja especial ou que fui o escolhido.

Creio apenas em uma força que rege a ocasião e que vem da superioridade que conhecemos como Deus, capaz de conectar e reconectar tudo com tamanha sapiência que, quando olho para trás, apenas sorrio de surpresa ao perceber que o que passei parece uma coreografia ensaiada.

No meio do breu, cheio de pensamentos, decidi refazer o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Fui no dia combinado, fiz a prova e a redação dez anos após a minha formatura do antigo segundo grau. A nota saiu e fiz 820 na redação.

Com a nota das questões, tinha acesso ao Prouni (Programa Universidade para Todos), e o primeiro curso que me veio como possibilidade foi Jornalismo.

Cá estou! No primeiro ano, me inscrevi no estágio; no penúltimo, fui contratado; me formei já com um emprego. Dois anos de formado, veio uma promoção para a reportagem, e já são sete anos na RECORD! Divulgação/Arquivo pessoal

Preciso pular uma parte; o texto já está enorme. Cá estou! No primeiro ano, me inscrevi no estágio; no penúltimo, fui contratado; me formei já com um emprego. Dois anos de formado, veio uma promoção para a reportagem, e já são sete anos na RECORD.

Eu até revi o meu conceito de solidão com você. Realmente, tenho uma vida solitária no sentido familiar. São natais e viradas de ano longe, aniversários, casamentos, velórios. Mas, em cada situação dessas que te contei, existia gente.

Muitas das quais vejo e revejo, outras que nunca mais vi, algumas com quem não tenho mais ligação e poucas que estão comigo nos pesares e sabores da vida.

A solidão é um ponto de vista, e o motivo deste texto é a projeção que o sonho alcança. Ele é revestido de sacrifícios, mas é um convite a novas conexões também.

Feliz 2026 para você!

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