‘Em hipótese nenhuma houve benefício ao Banco Master’, diz Rui Costa sobre gestão na Bahia
Ministro nega favorecimento, rebate críticas sobre decreto do Credcesta e atribui regulação de crédito consignado ao Banco Central

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, negou nesta segunda-feira (23), em entrevista exclusiva ao JR Entrevista, qualquer favorecimento ao Banco Master em decisões tomadas durante sua gestão como governador da Bahia. O ministro rebateu críticas sobre mudanças nas regras de crédito consignado e a venda de ativos estaduais, afirmando que a participação do empresário Augusto Lima se deu exclusivamente na articulação de investidores para a compra de um ativo estatal deficitário.
Segundo Rui Costa, o governo baiano realizou leilões para vender um supermercado público com mais de R$ 1 bilhão em prejuízos acumulados. “Ele articulou investidores espanhóis para participar do leilão e comprou”, disse o ministro, referindo-se a Lima. Rui reforçou não ter havido relação com o Banco Master naquele momento e que o comprador era um fundo estrangeiro, não uma instituição financeira. “Não tenho nada a ver com isso”, acrescentou.
Foram realizados três leilões, inclusive na B3, com acompanhamento de órgãos de controle. O ativo acabou adquirido por um fundo de investimento com maioria de capital espanhol, articulado por investidores ligados a Lima.
A reunião no Planalto
O nome de Augusto Lima voltou ao centro do debate político por sua ligação com o banco e pela proximidade com integrantes do governo federal. Lima atuou como CEO do Banco Master e esteve presente em uma reunião realizada em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, com o presidente Lula, Rui Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O encontro, inicialmente fora da agenda oficial, contou com outros membros do governo e teve articulação do ex-ministro Guido Mantega, conselheiro do Master. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações que levaram à liquidação da instituição em 2025.
O decreto do Credcesta
Rui também rebateu críticas sobre um decreto editado em 2022 na Bahia, acusado de dificultar a portabilidade de crédito consignado no programa Credcesta. O ministro classificou as acusações como “inverdades” e negou que a norma tenha tratado de portabilidade.
“O decreto estadual não garante nem retira portabilidade de crédito. Isso é atribuição do Banco Central e do Ministério da Fazenda”, afirmou.
Segundo Rui, a mudança reduziu de 30% para 15% o limite de uso do cartão em determinadas operações, restringindo seu uso a compras e impedindo a utilização do instrumento como modalidade de empréstimo. O ministro também contestou informações sobre a participação do senador Jaques Wagner na formulação da medida, classificando as críticas divulgadas como “inverdades”.
A analogia do carro velho
Ao comentar a venda do ativo estadual, Rui recorreu a uma comparação para afastar responsabilidades futuras. “É como vender um carro velho que só dá prejuízo. O que acontece depois não é responsabilidade de quem vendeu”, disse.
O ministro encerrou o tema sendo categórico: “Em hipótese nenhuma houve benefício ao Banco Master. O banco nem existia na época da venda.”
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