Em situação eleitoral delicada, Eduardo Leite precisa se viabilizar nacionalmente
Diferentemente de seus correligionários Ronaldo Caiado e Ratinho Jr., governador gaúcho enfrenta dificuldades locais
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Um paradoxo daqueles que não se explica acontece com Eduardo Leite. O governador do Rio Grande do Sul tem boa avaliação de gestão, é frequentemente lembrado como uma opção para o Palácio do Planalto, mas se encontra em uma situação bastante delicada eleitoralmente.
As forças políticas gaúchas se unificaram em torno de projetos que transbordam o controle do Palácio do Piratini. Luciano Zucco conseguiu unificar a direita e é candidato único nessa raia, que tem sido majoritária no estado. A esquerda, se não está unida, está bem delimitada em duas candidaturas: Juliana Brizola e Edegar Pretto, que ainda podem acabar em uma só.
Nesse cenário de definições claras, as indefinições de Eduardo Leite têm custado caro. Sua filiação ao PSD para uma disputa interna com outros pretensos candidatos à presidência não pareceu lógica.
Por mais forte que seja o partido de Kassab, Leite poderia ter construído seu caminho pelo PSDB, que hoje conta com Ciro Gomes e tem uma federação com o histórico Cidadania, de Roberto Freire. Teria condições de atrair a simpatia de outros partidos que não aderiram à polarização em 2022, como Podemos, MDB e União Brasil.
Leite é uma terceira via pura, diferente de Ratinho Jr. ou Ronaldo Caiado, que se alinharam nacionalmente ao bolsonarismo durante o período em que governaram seus estados.
No Rio Grande do Sul, Leite superou o PT no primeiro turno e teve uma virada surpreendente contra o representante de Jair Bolsonaro, na eleição passada, contando justamente com o apoio da esquerda.
Com seu candidato à sucessão, Gabriel Souza, em quarto lugar no principal cenário e no mínimo 10 pontos percentuais atrás do segundo colocado, na simulação em que vai melhor, segundo a pesquisa RealTime Big Data, Leite, caso opte por uma candidatura ao Senado, também terá vida difícil.
Com 16% de intenção de votos, está em um empate quádruplo numérico com Manuel D’Ávila, Marcel Van Hattem e Sanderson, além de técnico, na margem de erro com Paulo Pimenta.
Nessa dicotomia entre o local e o nacional, Leite não pode ficar refém de uma prévia em que o dedaço do presidente nacional do partido definirá seu futuro.
Precisa exigir da direção nacional que o nome do PSD seja escolhido antes do final do prazo de mudanças partidárias, para que tenha tempo hábil de fazer o óbvio, construir sua caminhada nacional com forças que dialogam com sua trajetória política.
Por mais complexa que seja a disputa presidencial, Leite, mesmo que seja derrotado, cairá para cima, como diz o dito popular. Terá espaço para debater o país, apresentar-se para o grande público e propor soluções para os problemas que o Brasil enfrenta.
Com espaço e falando para um público novo, tende a crescer. Entretanto, se optar por ficar no Rio Grande do Sul, a chance de minguar é enorme e, mesmo jovem e com boas ideias, poderá ficar num ostracismo que o tire da cena política.
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