Missão petista em São Paulo é perder de pouco e ajudar Lula
Com Tarcísio praticamente imbatível, PT precisa de um candidato que ajude o presidente a repetir um desempenho razoável no Estado
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

No complexo xadrez eleitoral para vencer as eleições no Brasil, São Paulo é a peça mais importante. Maior eleitorado do país, o estado sempre cumpre papel de protagonista nas táticas de quem pretende subir a rampa do Planalto.
O fato mais interessante é que, dos últimos cinco pleitos, a única vez que São Paulo e Brasil votaram juntos, fazendo com que o vencedor fosse igual, foi em 2018, com Jair Bolsonaro.
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Desde 2006, em terras bandeirantes, quando Geraldo Alckmin venceu Lula por 52% a 48%, a história vem se repetindo. Os tucanos José Serra e Aécio Neves bateram Dilma Rousseff, 54% a 46%, em 2010, e 64% a 36%, em 2014, e, em 2022, Jair Bolsonaro derrotou Lula por 55% a 45%.
Sabedor disso, ganhar em São Paulo, por vezes, é só perder de pouco. Nesse sentido, candidaturas afirmativas cumprem um papel importante para ajudar na missão maior que é conquistar a República.
A pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta segunda-feira (9), mostra que a tarefa do PT em São Paulo é novamente diminuir perdas para Lula.
Com Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderando com folga todos os cenários testados e detentor de uma aprovação de 63%, com 43% dos eleitores afirmando que o trabalho desenvolvido pelo governador é ótimo ou bom, o sonho petista de conquistar o Palácio dos Bandeirantes segue longe de ser possível. Resta ao partido novamente fazer um jogo de estratégia.
Por mais tentador que seja pensar que candidaturas mais ao centro ajudariam nessa lógica, ao analisar qualitativamente os dados, fica visível que a premissa não é verdadeira.
Há um clamor pela candidatura de Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ex-governador de São Paulo por quatro oportunidades, com uma máxima de que ele conseguiria penetrar em um eleitorado mais conservador do interior do estado, devido ao seu histórico.
Os números frios até sugerem isso, já que de todos os pretensos competidores ele é quem melhor pontua nessa largada eleitoral, no campo oposicionista.
O fato é que, analisando os cortes da pesquisa, é possível ver uma variação do perfil eleitoral histórico de Alckmin, que já caminha para uma padronização de votos dentro da seara do petismo. O seu eleitor original está cada vez mais distante e foi absorvido em boa parte por Tarcísio de Freitas.
Um ponto preocupante é que, se Alckmin ainda desempenha um pouco melhor que os demais nomes lulistas em perfis estratificados como do eleitorado acima dos 60 anos, há por parte desse público considerável desconhecimento sobre sua função de vice-presidente de Lula.
Alguns desse estrato, quando contestados com a informação, se desapontam, como se fosse a primeira vez que tivessem tido contato com a notícia. De bom governador a traidor, a seta vira em instantes.
Alckmin ainda tem um grande recall (conhecimento de nome) e tem entregas que o credenciariam para uma disputa com Tarcísio de Freitas, mesmo que inglória. Entretanto, ele pouco ajuda na relação com Lula, que é o que o PT precisa focar, em um cenário tão difícil como este de São Paulo.
Diferentemente dos outros, o vice-presidente parece largar na disputa já no seu teto e a tendência é mais de queda do que de subida.
Os nomes de Márcio França e Simone Tebet são praticamente uma redução de tudo isso que se sabe sobre Alckmin. Seriam construções, tentativas de achar caminhos para sangrar Tarcísio, mas com um desfecho muito provavelmente de insucesso.
Para deixar Tarcísio em posição de alerta, a solução principal era um racha no seu campo, como mostra o cenário em que Guilherme Derrite é testado junto de Tarcísio e Fernando Haddad, atingindo 18% e fazendo o incumbente recuar para 41% das intenções. Seria uma quebra dentro do eleitor bolsonarista.
Como esses movimentos não dependem do PT, o que resta ao partido é afirmar posição e tentar casar votos. Intensificar o número eleitoral e fazer com que a missão para o eleitor de oposição seja mais fácil.
Nesse ínterim, Haddad é a única solução. Apadrinhado de Lula, o ministro da Fazenda já cumpriu todas as funções que seu mentor designou. Em 18, fez uma campanha presidencial com o lema “Haddad é Lula”. O placar da eleição passada mostra esse casamento de votos. No segundo turno, Haddad fez 44% dos votos para governador e Lula, 45% para presidente.
Acostumado a cumprir missões inglórias, Haddad teria mais uma pela frente: trocar o comando da economia do Brasil para ir pra uma eleição em que larga como derrotado.
Para sua biografia, talvez não seja a melhor escolha. No entanto, caso seu projeto de vida passe por um governo Lula reeleito, o ex-prefeito de São Paulo seria a melhor ferramenta para criar coesão eleitoral na oposição paulista e ajudar o atual presidente no seu projeto de poder.
Como no futebol, muitas vezes um clube é campeão perdendo, porque o que mais importa é a soma final dos placares.
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