Nossos ídolos violentos

Temos hoje uma ausência de ídolos e de pessoas capazes de nos inspirar; E pensar que já tivemos Ayrton Senna

DJ Ivis agrediu sua mulher

DJ Ivis agrediu sua mulher

Reprodução/Instagram

As câmeras de segurança que a gente tanto usa em notícias de crimes e acidentes mostraram essa semana mais do que a violência doméstica. Levantaram um tema importante que precisa ser repensado no Brasil e que eu sempre discuto aqui em casa. Já parou para pensar em quem são nossos ídolos? As pessoas que seguimos nas redes sociais, que compartilhamos, que idolatramos... Quem são de verdade? 

As imagens do Dj Ivis, cantor do Ceará em ascensão na internet, espancando uma mulher diz muito sobre o que devemos discutir no país. Acredite: depois das imagens serem divulgadas, o agressor ganhou mais de 200 mil seguidores no Instagram. Oi???

Talvez você tenha memória curta, mas estou aqui para lembrá-lo, amigo leitor: não é a primeira vez que um brasileiro famoso pelo que faz é acusado de espancar uma mulher... E esse ainda continua ganhando milhões e vestindo a camisa do Brasil. 

Veja que nem estou falando em famosos que cometeram outros crimes, ok? Vamos ficar hoje na violência contra a mulher. 

Eu não sei você, mas sinto que faz muito tempo que não temos heróis de verdade. Me bateu saudade do Ayrton... Sim, o Senna. Aquele que uma vez parou o carro no meio da pista durante os treinos livres para o GP da Bélgica em 1992 para tentar salvar outro piloto. O francês Érik Comas havia batido forte contra o muro e estava desacordado dentro do veículo. Havia vazamento de combustível e foi Senna que fez o primeiro atendimento e desligou o carro para evitar uma possível explosão. A primeira e única mulher casada oficialmente com Senna chorou recentemente ao assistir ao filme sobre a vida do piloto. Chorou, mas foi de emoção. A piloto italiana Giovanna Amati, quinta mulher na história a chegar na principal categoria do automobilismo, dizia sofrer preconceito por parte dos homens. "Os pilotos que competiam comigo olhavam para o outro lado. Não me viam como uma competidora. O brasileiro Senna era o único que olhava na minha cara", disse na época. Isso se chama respeito.

Naquele tempo não havia redes sociais ou internet para que as pessoas mostrassem os bastidores da própria vida. Pelo contrário, isso elas tentavam esconder. A internet virou vitrine, mas repito: somos muito mais do que aquilo que queremos mostrar nas redes sociais. 

Claro que não estou comparando Senna a nenhum DJ/cantor/influencer/agressor. Mas é importante repensar quem são nossos ídolos. O que eles fazem por trás das câmeras. Lembre que a imagem divulgada na rede é só aquela que ele quer mostrar a você e que isso pode influenciar suas atitudes. 

Veja o caso do motorista que presenciou a cena de agressão do cantor e não fez nada. Era fã, motorista e próximo. Não fez nada. Nada!! Ele vai ter que explicar à polícia por que não tentou impedir a violência. 

Aliás, o cantor sem causa e cheio de fãs foi preso, perdeu patrocínios e acabou "cancelado" na internet. 

Saudade da época em que os heróis eram artistas de talento e defendiam causas importantes. Muitos morriam de overdose, mas não batiam em ninguém.

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