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Afonso Paciléo

Caso Gisele: órfã de PM morta vai receber pensão 10 vezes menor que acusado do crime

Geraldo Leite Rosa é acusado de ter matado a soldado Gisele Alves Santana

Empreendendo Direito|Afonso PacileoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A filha de uma policial militar morta receberá R$ 2,5 mil de pensão, enquanto o tenente-coronel acusado do crime poderá ter uma aposentadoria de cerca de R$ 20 mil.
  • A diferença nos valores gera um sentimento de injustiça entre a sociedade, que vê uma criança sem mãe recebendo muito menos do que o oficial acusado.
  • A situação revela distorções no sistema jurídico brasileiro, onde previdência e responsabilidade civil funcionam separadamente, sem considerar a realidade da vida.
  • A resposta do Estado em casos assim pode afetar a confiança da população nas instituições, transformando a questão em um problema de credibilidade e não apenas jurídico.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Geraldo Rosa Neto e Gisele Alves Santana
Geraldo Rosa Neto foi aposentado pela PM após ser acusado de ter matado Gisele Alves Santana Reprodução/redes sociais/Instagram Gisele Alves Santana - Via Folha de Pernambuco - 20.03.2026

Uma menina de 7 anos perdeu a mãe. A mãe era policial militar. E agora essa criança deve receber cerca de R$ 2,5 mil de pensão. Do outro lado da história, um tenente-coronel acusado no caso pode ter direito a uma aposentadoria na casa dos R$ 20 mil.

É aqui que a conta para de fechar. Não adianta vir com explicação técnica antes de encarar o óbvio. Para quem olha de fora, a mensagem é brutal. A vida de uma mãe, na prática, “vale” dez vezes menos do que a remuneração de quem está do outro lado dessa história.


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Juridicamente, vão dizer que não tem nada a ver uma coisa com a outra. E, de fato, não tem mesmo. A pensão da criança segue regras previdenciárias, com limites legais. A aposentadoria do oficial segue a lógica da carreira militar, baseada em tempo de serviço e patente.

Está tudo certo no papel. Mas a pergunta não é se está certo no papel. A pergunta é se isso faz sentido na vida real.


Porque a sociedade não enxerga processo separado, regime jurídico diferente ou tese bem construída. A sociedade enxerga uma criança sem mãe e uma diferença de valores que soa absurda.

E aí começa o problema. O direito explica, mas não convence.


É claro que esse valor de R$ 2,5 mil não precisa ser o final dessa história. Existe espaço para ação indenizatória contra o Estado, existe possibilidade de ampliação de valores na Justiça e existem desdobramentos que podem mudar esse cenário.

Mas isso leva tempo. E o tempo não joga a favor de quem perdeu tudo de uma hora para outra. O ponto que ninguém quer enfrentar é outro.


O sistema jurídico brasileiro funciona em caixinhas. Previdência de um lado. Responsabilidade civil de outro. Carreira pública em outra prateleira. Só que a vida não respeita essas divisões.

Quando tudo isso se cruza em um caso concreto, aparecem distorções como essa. Situações que são legalmente explicáveis, mas socialmente difíceis de engolir.

No fim, não é só sobre dinheiro. É sobre o tipo de resposta que o Estado dá quando uma criança perde a mãe em um episódio envolvendo o próprio poder público.

Se a resposta é fria, limitada e demorada, o problema deixa de ser jurídico. Passa a ser de confiança. E, quando a confiança vai embora, nenhuma tese segura.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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