CBF cria agência para fiscalizar fair-play financeiro
Objetivo é que clubes brasileiros reduzam dívidas de curto prazo. Regras valem para 2026, e punições podem levar até a rebaixamento
Espaço Prisma|Maurício Noriega*, da RECORD
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A CBF lançou hoje a Anrsf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). O órgão será o responsável pela fiscalização e controle do SSF (Sistema de Sustentabilidade Financeira) do futebol brasileiro.

O principal objetivo do SSF é combater o endividamento de curto prazo dos clubes de futebol do país e fomentar a responsabilidade fiscal, implementando o chamado “fair-play” financeiro. A dívida líquida de curto prazo dos clubes de futebol brasileiro será limitada a 45% das receitas.
Uma das abordagens prioritárias do sistema é evitar que clubes endividados possam contratar jogadores enquanto devem para outros clubes, treinadores e jogadores. O que ocorre no Brasil é que clubes pagam dívidas com clubes, jogadores e técnicos estrangeiros por medo de sanções da Fifa. Como não havia sanções vigentes no Brasil, as dívidas com jogadores, treinadores e clubes brasileiros são postergadas ou vão parar na Justiça.
As medidas entram em vigor para as Séries A e B do Campeonato Brasileiro em 2026, com uma regra de transição até 2028. Num primeiro momento, a Série C terá regras diferentes e menos restritivas.
As principais diretrizes do SSF para os clubes de futebol são as seguintes:
- Não podem atrasar pagamentos para outros clubes, funcionários e autoridades públicas.
- Devem operar em equilíbrio financeiro.
- Gastos com o elenco de jogadores devem ser proporcionais à capacidade financeira dos clubes.
- Devem manter estrutura de capital sólida e níveis sustentáveis de alavancagem financeira (capacidade de utilizar dinheiro de terceiros para financiamento).
- Devem apresentar superávit anual, avaliado através de três relatórios anuais de situação financeira e modelo padronizado de balanço financeiro.
- Em caso de resultado financeiro negativo, pode haver aporte de donos de clubes que tenham proprietários para alcançar equilíbrio. Caso o clube não tenha fins econômicos, podem ser feitos aportes na forma de doação por parte de torcedores ou sócios.
- Dívida líquida de curto prazo limitada a 45% das receitas.
- Clubes deficitários passam a ser monitorados na soma dos três exercícios anteriores e deverão se adequar aos seguintes quadros:
a) Série A – Déficit máximo de R$ 30 milhões ou 2,5% das receitas no triênio.
b) Série B – Déficit máximo de R$ 10 milhões ou 2,5% das receitas no triênio.
Haverá um período de transição das regras, a contar pelo exercício de 2026, com implantação progressiva ano a ano até 2028.
Estão excluídos dos cálculos para a sustentabilidade financeira dos clubes os custos com categorias de base, infraestrutura, futebol feminino, projetos sociais e esportes olímpicos e paralímpicos.
As punições cabíveis são as seguintes:
- Advertência pública.
- Multa pecuniária.
- Retenção de receitas.
- Proibição de negociação de atletas.
- Perda de pontos.
- Rebaixamento.
- Não concessão ou cassação da licença para disputar campeonatos da CBF.
A Anrsf será o órgão responsável pela fiscalização e execução das novas regras. O quadro da Anrsf é composto por sete auditores nomeados pela CBF, com notório saber jurídico e econômico-financeiro. Eles terão mandatos de quatro anos, sem remuneração financeira.
Os indicados são Caio Cordeiro de Resende, economista de políticas macroeconômicas; César Grafietti, economista especializado em finanças; Marcelo Doval Mendes, advogado especializado em direito regulatório e empresarial; Pedro Henrique Martins de Araújo Filho, consultor em finanças corporativas; Vantuil Gonçalves Júnior, advogado especializado em direito desportivo; Igor Mauler Santiago, advogado especializado em direito tributário, e José Fausto Moreira Filho, economista especializado na área de finanças.
Participaram dos debates que levaram ao SSF 20 clubes da Série A e 14 da Série B do Brasileiro. Não participaram os seguintes clubes da Série B de 2025: Criciúma, Amazonas, Operário, Cuiabá, Atlético Goianiense e Volta Redonda.
*Maurício Noriega é comentarista da RECORD
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