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Corretor de imóveis do futuro não será substituído por IA, mas sim ganhará em estratégias

A tecnologia amplia sua atuação, mas é a experiência, a sensibilidade e a visão de mercado que continuam fazendo a diferença

Espaço Prisma|Allan Paladino, especial para o R7

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O corretor do futuro não é mais estratégico, mais bem informado e, paradoxalmente, mais humano Reprodução/Freepik

De tempos em tempos, o mercado imobiliário é atravessado pela mesma pergunta: a tecnologia vai acabar com o corretor de imóveis? Essa dúvida costuma surgir sempre que uma nova ferramenta ganha escala, seja um portal mais inteligente, um sistema de automação ou, mais recentemente, a inteligência artificial.

A resposta, no entanto, é incômoda para quem insiste em ficar parado. A tecnologia não elimina o corretor, mas muda profundamente o jogo e reposiciona o mercado: quem incorpora inteligência artificial passa a operar com vantagem real, enquanto quem ignora essas ferramentas corre o risco de perder relevância.


Durante muito tempo, o valor do corretor esteve ligado ao acesso à informação. Saber onde estavam os imóveis, quais eram as oportunidades e quem queria comprar ou vender era um diferencial real. Esse cenário já não existe. Hoje, o cliente chega à conversa informado, com referências de preço, comparações e até visitas virtuais feitas. A informação precisa de contexto, leitura e direcionamento.

É justamente aí que o corretor se torna mais relevante. Comprar ou vender um imóvel sempre será uma decisão complexa, emocional e estratégica. Envolve dinheiro, planos de vida, expectativas e inseguranças. Nenhuma plataforma consegue ler esses sinais com precisão. Nenhum algoritmo substitui a confiança construída em uma conversa honesta ou a segurança transmitida por alguém que conhece o mercado de verdade.


A tecnologia entra para fazer aquilo que sempre consumiu tempo demais: tarefas operacionais, organização de dados, cruzamento de informações e processos repetitivos. Quando bem usada, ela devolve ao corretor o que há de mais valioso: tempo para pensar, ouvir e negociar melhor.

O corretor que se destaca hoje não é o que disputa velocidade com a máquina, mas o que sabe usá-la a seu favor. Ele entende números, domina ferramentas e acompanha o mercado, mas não abre mão da escuta, da leitura de cenário e da construção de relação. Seu papel deixa de ser apenas apresentar imóveis e passa a ser o de orientar decisões.


Vemos esse movimento acontecer todos os dias. Corretores que utilizam tecnologia de forma inteligente não se afastam do cliente, eles chegam mais preparados, fazem perguntas melhores e constroem negociações mais sólidas. O resultado são processos mais claros, expectativas mais alinhadas e relações que não terminam na assinatura do contrato.

Falar em substituição é ignorar a natureza do mercado imobiliário. Estamos lidando com escolhas que impactam patrimônio, rotina e futuro. Enquanto houver pessoas tomando decisões desse tamanho, haverá espaço para profissionais capazes de traduzir complexidade em segurança.


O corretor do futuro não é uma versão automatizada do passado. É alguém mais estratégico, mais bem informado e, paradoxalmente, mais humano. A tecnologia amplia sua atuação, mas é a experiência, a sensibilidade e a visão de mercado que continuam fazendo a diferença.

*Allan Paladino é CEO

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