Prisão em Orlando: o preço da liberdade da mulher do sertanejo Henrique nos EUA
Amanda Vasconcelos pagou fiança de US$ 500 após ser detida por dirigir com habilitação inválida e ignorar ordem policial na Flórida; entenda as regras rigorosas do sistema americano
Espaço Prisma|M. Saldanha, especial para o R7

O que era para ser uma temporada de férias em família na Flórida transformou-se em um boletim de ocorrência internacional. Amanda Vasconcelos, empresária e mulher do cantor Henrique, da dupla com Juliano, sentiu na pele nesta segunda-feira, dia 2 de fevereiro de 2026, que a cortesia americana termina onde começa uma ordem policial.
A detenção não ocorreu por um crime planejado, mas por um erro que muitos brasileiros subestimam: a desobediência direta. Segundo registros do Gabinete do Xerife do Condado de Orange, Amanda foi acusada de fugir de uma abordagem após cometer uma infração de trânsito e dirigir com a habilitação vencida. O episódio levanta a dúvida: como uma infração comum vira caso de prisão e quanto custa se livrar da cela na terra do Tio Sam?
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Fiança nos EUA: depósito de garantia, não perdão
Diferentemente do Brasil, onde a fiança muitas vezes encerra a parte imediata do processo, nos Estados Unidos ela é um depósito de garantia de comparecimento.
O sistema é rígido:
O Valor: para Amanda, a Justiça da Flórida fixou a fiança em US$ 500 (aproximadamente R$ 2.620) pela contravenção de dirigir sem licença válida.
A Acusação de Fuga: na audiência realizada nesta terça-feira, dia 3, a juíza do 9º Tribunal do Circuito Judicial rejeitou a acusação criminal de tentativa de fuga (felonia de terceiro grau). A magistrada aceitou o argumento da defesa de que houve falha de comunicação, já que os policiais tentaram falar em espanhol com a brasileira, que não fala inglês e afirmou ter aberto passagem para a viatura por não saber que a ordem era para ela.
A Condição: ao pagar o valor, ela foi liberada, mas assumiu o compromisso de participar de todos os atos judiciais. Se faltar a uma audiência, o valor é confiscado e um mandado de prisão imediato é emitido.
O “efeito vitrine”: brasileiros na mira da lei
O caso de Amanda não é isolado. Dados do Itamaraty revelam que, no início de 2026, estima-se que mais de 2,6 mil brasileiros estejam detidos nos Estados Unidos por questões migratórias e criminais. Só em 2025, o número de brasileiros deportados saltou quase 70%, refletindo um endurecimento na fiscalização.
Na Flórida, o perfil das prisões de turistas brasileiros costuma seguir um padrão: infrações de trânsito que escalam para desobediência e pequenos furtos em outlets.
Recentemente, dois brasileiros de São José do Rio Preto foram presos em Orlando após furtarem mais de 20 itens de luxo, com fianças estipuladas entre US$ 1 mil e US$ 1,5 mil. A lição é clara: o sistema não diferencia o “deslize” da má intenção.
Guia de sobrevivência: o que fazer se você for preso nos EUA
Se o leitor (ou algum conhecido) se encontrar em uma situação de detenção em solo americano, o protocolo de segurança é fundamental:
O Direito ao Silêncio: você tem o direito constitucional de permanecer calado. No entanto, deve fornecer identificação básica. Evite dar justificativas longas sem um advogado, pois elas serão usadas contra você.
Peça pelo Consulado: como cidadão brasileiro, você tem o direito de solicitar que o consulado do Brasil seja informado da sua prisão. O consulado não paga fiança nem advogados, mas garante que você receba tratamento digno e comunica sua família.
Contrate um “Criminal Defense Attorney”: diferentemente do Brasil, o defensor público nos EUA só é designado para quem comprova pobreza extrema. Para turistas, a contratação de um advogado particular é imediata e custa caro (entre US$ 300 e US$ 700 por hora).
Cuidado com o “Bail Bond”: se a fiança for alta, existem os “Bail Bondsmen”, empresas que pagam a fiança para você em troca de uma taxa de 10% que não é devolvida. Para estrangeiros, essas empresas costumam exigir garantias reais ou co-fiadores residentes.
A prisão de Amanda Vasconcelos é o lembrete de que, nos EUA, a lei é executada com rapidez cirúrgica. A liberdade pode ser comprada com alguns dólares, mas a tranquilidade de um visto sem manchas exige respeito absoluto às regras locais.
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