Seu celular te deixa mais cansado do que o seu trabalho
Não é o excesso de tarefas que está drenando sua energia, mas as notificações, o excesso de estímulos e a ilusão de descanso
Espaço Prisma|Héctor Farto, especial para o R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Você termina o dia exausto. Mas não exausto de produzir, pensar ou resolver problemas complexos. Exausto de rolar a tela. De responder mensagens. De alternar entre aplicativos. De consumir um volume de informações que nenhum cérebro humano foi projetado para processar.
E aqui vem a tese que soa absurda à primeira vista, mas é sustentada por dados sólidos: o seu celular provavelmente cansa mais você do que o seu trabalho.
Leia mais
Calma. Vamos aos dados
Pesquisas conduzidas pela Universidade de Stanford mostram que o cérebro humano não é multitarefa. O que fazemos, na prática, é alternar rapidamente entre tarefas — e cada troca tem um custo cognitivo.
Segundo o estudo, pessoas que alternam constantemente entre estímulos apresentam queda de concentração, aumento do tempo para concluir tarefas e maior sensação de fadiga mental ao final do dia.
Agora conecte isso ao celular. Um relatório da Universidade de Harvard aponta que o usuário médio toca no smartphone mais de 2.600 vezes por dia. Em usuários intensivos, esse número ultrapassa 5 mil interações diárias. Cada toque é uma microinterrupção. Cada notificação é um “puxão” da sua atenção.
O cérebro paga a conta
Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience demonstrou que a exposição constante a estímulos digitais fragmentados reduz a capacidade de foco sustentado e aumenta a sensação subjetiva de cansaço, mesmo quando não há esforço físico ou intelectual relevante. Em outras palavras: você se sente cansado mesmo sem ter “feito nada”.
Outro dado importante vem do MIT. Pesquisadores analisaram a relação entre uso de dispositivos digitais e fadiga mental e identificaram um fenômeno chamado fadiga cognitiva antecipada.
O simples fato de saber que notificações podem chegar a qualquer momento mantém o cérebro em estado de alerta contínuo, semelhante a um modo de vigilância. Isso consome energia mental — mesmo quando o celular está parado ao lado.
E tem mais
A Organização Mundial da Saúde já reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional, mas estudos recentes mostram que o ambiente digital amplia esse risco. Um levantamento da consultoria Gallup indica que profissionais que checam mensagens fora do horário de trabalho têm níveis significativamente maiores de exaustão emocional, independentemente da carga formal de trabalho.
O celular também interfere diretamente no sono — e aqui o efeito é devastador. Dados da Sleep Foundation mostram que o uso de telas antes de dormir reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para o sono profundo.
Dormir menos — ou dormir mal — amplifica a sensação de cansaço no dia seguinte, criando um ciclo vicioso: você está cansado, recorre ao celular para “relaxar” e acorda ainda mais exausto.
Ou seja: o descanso virou estímulo
Enquanto isso, o trabalho — aquele que exige foco contínuo, começo, meio e fim — costuma ser cognitivamente mais organizado. Há pausas, objetivos claros e, muitas vezes, menos interrupções do que no ambiente digital pessoal. Não é raro que pessoas relatem sair do trabalho “intelectualmente satisfeitas”, mas emocionalmente esgotadas após horas nas redes sociais.
Isso não é coincidência. Um estudo da Universidade da Califórnia concluiu que o excesso de informação irrelevante gera mais estresse mental do que tarefas complexas com propósito definido. Resolver um problema cansa menos do que absorver centenas de estímulos desconectados.
No fim das contas, talvez o problema não seja que você trabalha demais. Talvez você esteja estimulado demais.
Menos notificações, menos alternância, menos dopamina barata. Mais foco, mais silêncio, mais descanso real.
Porque o maior sugador de energia do seu dia pode não estar na sua mesa de trabalho — mas no seu bolso.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














