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Suspeito de estupro coletivo no Rio provoca com camisa e acerta soco no estômago das mulheres

Para ir à delegacia, rapaz escolheu a estampa ‘Regret Nothing’ (não se arrependa), associada a influencer misógino e ao movimento red pill

Espaço Prisma|Marine Salgado, especial para o R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Vitor Hugo Oliveira Simonin se entregou à polícia por envolvimento em um estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana.
  • Ao chegar na delegacia, vestia uma camiseta com a estampa "Regret Nothing", associada a influenciadores misóginos.
  • Outros três suspeitos foram presos junto com Simonin, enquanto um menor está internado no Degase.
  • O movimento red pill, que promove ideias misóginas, preocupa autoridades e esteve em pauta novamente após o crime.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Adolescente, com camiseta preta com inscrição 'Regret Nothing', anda abraçado a homem de terno
Suspeito de participar de estupro coletivo no Rio usou camiseta provocativa ao se entregar Carlos Elias Junior/Agência O Dia/Estadão Conteúdo – 04.03.2026

Vitor Hugo Oliveira Simonin se entregou à polícia na última quarta-feira (4) sob a acusação de estuprar, com um grupo de outros quatro amigos homens, uma adolescente de 17 anos em Copacabana, área nobre da zona sul do Rio de Janeiro.

Ao se chegar à delegacia, na véspera da Semana Internacional da Mulher, o rapaz de 19 anos sequer se preocupou em abaixar a cabeça, como costumam fazer os encrencados com a Justiça que chegam para depor.


Além do nariz empinado, só outro gesto chamou mais a atenção: a camiseta preta que o rapaz escolheu para enfrentar um inquérito que apura um crime tão grave, que tanto ultraja e envergonha a sociedade.

Com a estampa ‘Regret Nothing’ (não se arrependa de nada), a peça coincide com o ‘way of life’ do principal expoente do movimento red pill, o influenciador britânico Andrew Tate, implicado, junto do irmão Tristan, numa investigação sobre estupro, tráfico de pessoas e formação de quadrilha para explorar mulheres na Romênia.


“Eu nunca me arrependo de nada que eu tentei. Nunca me arrependo das coisas boas ou ruins que acontecem comigo”, disse em uma entrevista à IFL TV, no Facebook, em novembro do ano passado, em uma academia de boxe. Reconhecidamente misógino, Tate tem 11 milhões só numa rede social.

Não podia ter data pior para um crime desta dimensão estourar, afinal, ontem, 8 de março, é um dia de luta para todas as mulheres do mundo. No Brasil, os dados indicam que, a cada 6 horas, um homem mata uma mulher no Brasil só pelo fato de ela ser mulher, segundo o próprio governo. Esse crime se chama feminicídio.


Mais que isso: quem vai se apresentar a um delegado em uma investigação de estupro coletivo contra uma menina de 17 anos não sai de casa sem pensar no que vestir. “Vai ter mídia lá: o que vão me perguntar? Vão me filmar, minhas imagens vão rodar o Brasil e o mundo”. Nada disso incomodou o marmanjo.

Além de Vitor Hugo Oliveira Simonin, os demais suspeitos presos são Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins. A identidade do menor, internado no Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas), não foi divulgada.


Movimento Red Pill

Os red pills são um grupo de pessoas que compartilha e instiga atitudes misóginas nas redes sociais. Esse movimento promove ideias sexistas e, com frequência, estimula o abuso e a violência contra mulheres.

O termo nasceu do filme de ficção Matrix, quando o personagem principal escolhe entre tomar um comprimido azul, que representa uma sociedade hipócrita e de ilusão, e uma pílula vermelha, um sinônimo de um mundo de verdade.

Os influenciadores que disseminam tais valores divulgam conteúdo ofensivo às mulheres a outros homens, quase sempre jovens, que, nutridos por baixa autoestima, se encantam com o discurso criminoso.

O movimento preocupa autoridades e faz ressurgir, de tempos em tempos, a regulação das redes sociais.

Estupro e cárcere privado

Moradores da mesma região e de família de classe média, todos vão responder por estupro e cárcere privado ou crimes análogos (caso do rapaz de 17 anos).

O pai de Simonin, José Carlos Simonin, afirmou ao apresentador do Domingo Espetacular, o jornalista Roberto Cabrini, que “se meu filho errou, ele tem que pagar” (assista à reportagem na íntegra acima).

A defesa de João Gabriel informou ao Domingo Espetacular, da RECORD, que ele é um atleta, sem histórico de violência e foi apresentado à opinião pública sem nunca ser ouvido.

No caso de Matheus Martins, os advogados dizem que ele não teve a oportunidade de ser ouvido durante as investigações e que as provas juntadas aos autos estão incompletas. Disse que confia na Justiça, onde todas as provas serão examinadas de forma integral e imparcial.

Os defensores de Bruno Felipe reiteram que o jovem foi indiciado, denunciado e preso sem direito à defesa. A nota diz ainda que Bruno é inocente.

O representante do rapaz de 17 anos não foi localizado.

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