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Troque as redes sociais por um livro e veja sua vida melhorar — não estou brincando

Você passa mais de 3 horas por dia rolando o feed. Seu cérebro está pedindo socorro. E a solução custa menos que um cafezinho

Espaço Prisma|Héctor Farto, especial para o R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O brasileiro passa em média 9 horas por dia na internet, sendo 4 horas apenas em redes sociais.
  • Pesquisas indicam que 45% das pessoas relatam impacto negativo das redes sociais na saúde mental.
  • A leitura de livros físicos pode reduzir o estresse em até 68% e melhorar a compreensão e o sono.
  • Uma troca intencional de tempo nas redes sociais por leitura pode trazer benefícios cognitivos e emocionais significativos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Leitura beneficia a neuroplasticidade do cérebro, estimula sinapses e utiliza neurônios que ficam ociosos na maior parte do tempo Freepik/@pvproductions

Você provavelmente leu essa primeira linha no seu celular. E isso já diz tudo. Somos o segundo país mais conectado do planeta. Não é motivo de orgulho — é motivo de preocupação.

Segundo o Relatório Digital 2024, da We Are Social e Meltwater, o brasileiro passa, em média, 9 horas e 13 minutos por dia na internet, sendo quase 4 horas apenas nas redes sociais.


Para colocar em perspectiva: isso é mais tempo do que a maioria das pessoas dorme. E, enquanto você rola o Instagram em busca de algo que traga satisfação, seu cérebro está embarcando numa montanha-russa de dopamina que foi projetada exatamente para te deixar viciado.

Não é conspiração. É o modelo de negócio.


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As plataformas digitais são construídas para maximizar o engajamento — notificações, rolagem infinita, curtidas — são todos mecanismos que estimulam o centro de recompensa do cérebro, segundo pesquisas da Fiocruz.

O resultado? Uma sensação de prazer que imita, em escala menor, o que acontece em casos de dependência. E os dados sobre os efeitos dessa montanha-russa não são boa notícia.


O preço que você paga por cada hora no feed

Uma pesquisa do Instituto Cactus, divulgada no primeiro semestre de 2024 e que ouviu 4.381 brasileiros, mostrou que 45% relataram impacto negativo das redes sociais na sua saúde mental nos últimos 15 dias.

Não é uma impressão vaga: é o que as pessoas sentem, e estão dizendo. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse número sobe ainda mais — 15% afirmaram que o impacto foi muito negativo.


E não para por aí. Pesquisa de Matos e Godinho (2024), publicada na Revista Foco, avaliou que 70% dos participantes relataram algum tipo de angústia emocional após uso prolongado das redes sociais. Sessenta e cinco por cento mencionaram problemas com o sono.

Isso foi corroborado por estudos de Freitas et al. (2023), que confirmam que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos, especialmente à noite, prejudica diretamente a qualidade do sono e pode agravar transtornos de humor.

O Departamento de Saúde dos Estados Unidos, em relatório de 2023, foi ainda mais direto: adolescentes que passam mais de três horas por dia em redes sociais têm duas vezes mais chances de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade.

O estudo analisou cerca de 1,8 mil indivíduos e concluiu que os mais viciados têm quase o triplo de chances de desenvolver depressão. Então, a pergunta natural é: o que fazer com isso?

Entre o caos do feed e a paz das páginas

A resposta mais simples do mundo — e com mais respaldo científico do que você imaginaria — é trocar algumas horas daquele rolamento infinito por um livro. Um livro físico, de papel, que não vibra, não notifica e não sabe te manipular.

A Universidade de Sussex conduziu um estudo que mostrou que apenas seis minutos de leitura silenciosa são capazes de reduzir os níveis de estresse em até 68%.

Os participantes diminuíram a frequência cardíaca e aliviaram a tensão muscular — mais eficaz, segundo os pesquisadores, do que ouvir música ou tomar um banho quente. Seis minutos. Isso é menos tempo do que leva um reels no modo aleatório.

E não se trata apenas de relaxamento imediato. A leitura funciona como um exercício completo para o cérebro. Segundo o pesquisador Augusto Buchweitz, do Instituto do Cérebro (InsCer), a leitura envolve imaginação, mentalização, antecipação e aprendizagem simultâneas — ativando todo o cérebro de uma forma que o rolamento de conteúdo digital simplesmente não faz.

Neurologista Joana D’Arc Loureiro, do Ambulatório de Especialidades do HMJMA, complementa: a leitura beneficia a neuroplasticidade do cérebro, estimula sinapses e utiliza neurônios que ficam ociosos na maior parte do tempo.

O papel vence a tela — e a ciência prova

Aqui está um detalhe que não é óbvio: o formato importa. Uma pesquisa publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que pessoas que leram em e-readers antes de dormir tiveram produção de melatonina reduzida e demoraram mais para adormecer em comparação com quem leu livros impressos.

Uma meta-análise de 2018, envolvendo mais de 171 mil leitores, revelou que a compreensão era melhor quando as pessoas liam textos impressos. Mais recentemente, pesquisa da Oxford Learning, em 2024, que analisou 49 estudos, chegou à mesma conclusão: papel vence tela na compreensão.

E isso é especialmente importante considerando que os brasileiros leem cada vez menos livros de verdade. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, divulgada em 2024, mostrou que a média caiu para 3,96 livros por ano — a menor da série histórica. O país perdeu 7 milhões de leitores em cinco anos. Enquanto isso, passa quase 4 horas por dia nas redes sociais.

A conta não fecha. Mas pode fechar, se você decidir mudar.

Como começar — sem culpa e sem heroísmo

Ninguém precisa abandonar as redes sociais para sempre. A ideia não é fazer uma revolução digital da sua vida numa noite. O ponto é criar uma troca simples e intencional: substituir, aos poucos, uma parte do tempo no celular por páginas de um livro.

Comece com 15 minutos antes de dormir. Um livro físico, sem luz na cara. Sem notificações. Sem algoritmo decidindo o que você pensa a seguir. Apenas você e uma história — ou um argumento, ou uma ideia que vai crescer dentro da sua cabeça enquanto você dorme.

Os benefícios não são promessas. São dados. Redução de estresse comprovada. Melhoria no sono. Estímulo cognitivo que protege contra doenças neurodegenerativas. Aumento de empatia. E, por fim, algo que nenhuma rede social oferece de verdade: profundidade.

Você não precisa ser um leitor voraz. Você só precisa começar. O livro estará esperando — sem notificação, sem prazo, sem like necessário.

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