Deputado paspalho

Plenário da Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados

Adriano Machado/Reuters - 19.02.2018

O deputado não é bem visto na Câmara. Alguns o consideram um demagogo e que faz todo o esforço para manter o mandato. Quase não se reelegeu. Já passou por vários cargos políticos mas não se consolidou em nenhum deles. Segundo os colegas da capital, está com as finanças pessoais sempre em vermelho e recorre a amigos para saldar as contas.  As economias familiares são uma questão primordial em sua vida. E  até cogita vender uma propriedade no interior do país. Tem que recorrer a um amigo para bancar as suas dívidas. Está presente nas recepções que pode e mais de uma vez é notado embriagado. Em uma reunião com o embaixador dos Estados Unidos, na sede do governo, foi flagrado cambaleante e o diplomata relatou ao seu país. Afinal, se ele não exercer nenhum cargo no ministério isso também não tem a menor importância. Há quem diga na cidade que trabalha muito pouco, levanta depois das 11 horas e, logo cedo, não dispensa um bom conhaque francês. Com tantas coisas importantes ocorrendo no mundo os jornalistas e a população, ninguém se importa com o que dizem dele. Não é o único na Câmara, mas o deputado tem pretensões mais altas. Chama também a atenção que não para de dirigir críticas para o seu próprio  partido político e com  isso arrebanha um número maior de adversários, mesmo entre os seus correligionários. Onde quer chegar indagam os comentaristas políticos dos jornais.

O país vive uma verdadeira pandemia econômica. O impacto da crise atinge principalmente os trabalhadores que perdem os empregos e engrossam as manifestações. As filas em busca de alimentos doados pela população é gigantesca. Na capital circula uma população assustada, abatida e desesperada em função das notícias aterrorizantes divulgadas pelos jornalistas. A indústria está quebrada. O comercio se ressente das quedas nas vendas uma vez que sem dinheiro não há circulação de mercadoria. O furacão, que começou nos Estados Unidos,  varre o mundo todo e nenhum país escapa dos danos econômicos e financeiros.  A rivalidade entre as potencias se acentua no campo político, econômico e militar. Elas se acusam mutuamente de querer desestabilizar a paz e impor seus interesses imperialistas a qualquer custo. Por isso, todas investiram o que tinham e não tinham em armamentos. É, segundo alguns analistas, a nova fase a paz armada, responsável pelo morticínio que abalou o mundo no início do século 20. O perigo das alianças entre países persiste. Uma nova política das alianças se instala e ameaça arrastar todos em direção a um novo conflito amplo e generalizado.          

Ao deputado conservador não resta outro caminho senão o de manter a todo custo o posto de ministro que ocupa no governo. O chefe está completamente perdido e responsabilizado por tudo o que acontece, da crise econômica ao relacionamento com outros países. Afinal não se abre mão de acordos e tratados com outras nações do mundo. A crise se aprofunda. Ninguém sabe quem vai estar no comando no dia seguinte. Ao primeiro ministro não resta outra alternativa senão negociar sua saída e impedir que a oposição tome conta do poder. Melhor opção é passar o cargo para o deputado. Winston Churcchill assume o governo britânico em plena batalha da segunda guerra mundial. Não se importa em ser responsabilizado pela vitória dos alemães no Noruega. Tem oportunidade de aglutinar  o pais em torno da bandeira de salvação nacional. Uma união capaz de impedir que a Europa caia nas mãos do nazismo. O império também corre risco.