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O que é o Estreio do Ormuz e quais são os efeitos de seu fechamento pelo Irã?

Região é ponto estratégico para a passagem dos navios que saem carregados de petróleo e chegam carregados de containers

Heródoto Barbeiro|Heródoto Barbeiro

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Vista aérea da região do Estreito de Ormuz, no Golfo Persícog Arquivo/Reuters

Não é a primeira vez e, talvez, nem a última, que a região do Golfo Pérsico vive tensão. Por lá transita, pelo menos, 20% do petróleo consumido pelo mundo. Pela sua localização, boa parte desse petróleo vai para a China e para a Índia. O Golfo Pérsico desemboca no Oceano Índico e está espremido entre o Irã e a Arábia Saudita.

Pequenos países árabes também existem por lá. Um dos pontos mais estreitos do Golfo é chamado de Estreito de Ormuz. Ele tem aproximadamente 36 quilômetros de largura. Portanto, é um ponto estratégico para a passagem dos navios que saem carregados de petróleo e chegam carregados de containers.


Ao mesmo tempo é uma arma estratégica natural, assim como o Canal de Suez, que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo. Os líderes da república islâmica iraniana sabem disso.

Além dos mísseis, que hoje podem atingir a Europa, a Guarda Revolucionária, a indústria de drones militares, Ormuz é uma arma poderosa.


Por isso, o Irã anunciou o fechamento, ou seja, qualquer navio carregado ou não que tentar passar por ali vai ser afundado. Para isso, o Irã não precisa ter uma grande marinha de guerra. O país possui lanchas rápidas, leves e armadas capazes de atacar os petroleiros.

Apesar da diferença do tamanho, o navio não possui meios de defesa, e o carregamento de petróleo é uma verdadeira bomba a bordo. Ainda não ocorreu nenhum ataque desde que o fechamento de Ormuz foi fechado.


Empresas, seguradoras e tripulantes não querem se arriscar. Com isso o preço do barril de petróleo no mercado mundial já subiu e pode ir parar nos postos de gasolina de todo o mundo. Inclusive no Brasil.

Os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz vão além do petróleo. Os navios de cargas, carregados de containers, evitam a região e, para chegar à Europa e aos Estados Unidos, vão ter que dar a volta no sul do continente americano. Uma rota mais longa, mais demorada e o preço do frete chega a subir três vezes.


Assim, outros produtos, como os chineses, vão chegar mais caros ao seu destino final. O reflexo é mostrado nas quedas das ações das bolsas de valores da Ásia. Aparentemente, um único acidente geográfico não poderia provocar tanto estrago. Mas Ormuz tem esse poder.

A ironia é que Ormuz é um deus da religião antiga da Pérsia, atual Irã, que segundo seu fundador Zoroastro, é o deus do Bem, do Amor, da Paz.

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