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Parece, mas não é: futebol no meio de uma guerra

Campo de futebol não é campo de batalha. Mesmo quando as equipes representam países que estão em guerra

Heródoto Barbeiro|Heródoto Barbeiro

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Jogo entre Benfica e Real Madrid, pela UEFA Champions League Pedro Nunes/Reuters - 17.02.2026

Os torcedores de times diferentes, vez por outra, esquecem que um jogo de futebol é um espetáculo. Deve ser visto e praticado dentro das regras da esportividade. Assim, os times têm de aprender que ganhar ou perder faz parte de qualquer esporte, inclusive o futebol.

As pessoas que vão aos estádios vão para se divertir, para gritar, comemorar os gols de sua equipe e lamentar sua perda e os frangos do goleiro. Ninguém precisa ir armado, ou agredir um torcedor de time contrário como se fosse um inimigo. Campo de futebol não é campo de batalha. Mesmo quando as equipes representam países que estão em guerra.


Alguns países dão o mau exemplo da perda de esportividade. Eles se recusam a jogar contra uma equipe que representa o inimigo. As entidades internacionais, responsáveis por vários campeonatos, entre eles a Copa do Mundo, fazem o que podem para impedir a politização dos jogos. Alguns países se retiram da competição, outros são excluídos por não aceitarem a máxima de que não se pode misturar esporte com política.

Manifestações de jogadores antes, durante ou depois do jogo são duramente reprimidas e alguns são suspensos das entidades internacionais e excluídos de campeonatos futuros. Essa política é cada vez mais difícil de manter diante de ameaças de guerra que assolam o mundo no início do século 20.


Os políticos e militares do alto escalão propagam que o conflito europeu é de curta duração. As maiores potências da Europa mobilizam milhões de soldados e tanto de um lado como do outro acreditam que ocorrerá um choque de grandes proporções, com a vitória de um dos lados e o fim da guerra.

O assassinato do casal herdeiro do Império Austro-húngaro foi o gatilho para a eclosão do conflito. O sistema de alianças provocou um conflito em cadeia. No Natal de 1914, ingleses e alemães se entrincheiram na Bélgica. Sem o consentimento dos comandos, os soldados fazem uma paz natalina. Os canhões se calam.


Um soldado sai da trincheira e chuta uma bola. Outros o acompanham e, em pouco tempo, alemães e ingleses formam times e disputam uma partida de futebol. Ela termina com uma confraternização entre inimigos. Em paz voltam para as suas trincheiras. Muitos para morrer depois.

* Prof. Heródoto Barbeiro âncora do Jornal Nova Brasil, colunista do R7, apresentou o Roda Viva na TV Cultura, Jornal da CBN e Podcast NEH. Tem livros nas áreas de Jornalismo, História. Midia Training e Budismo. Grande prêmio Ayrton Senna, Líbero Badaró, Unesco, APCA, Comunique-se. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Palestras e mídia training. Canal no Youtube “Por Dentro da Máquina”, www.herodoto.com.br

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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