Aeroportos da América Latina e Caribe avançam na redução de emissões e fortalecem agenda climática global
Artigo de Rafael Echevarne, diretor-geral de ACI-LAC

A aviação mundial vem assumindo, nos últimos anos, compromissos claros em direção a seu processo de descarbonização, alinhados às metas do Acordo de Paris, adotado em 2015 durante a 21ª Conferência das Partes COP21). Todos os entes da indústria vêm estabelecendo marcos globais para reduzir as emissões do setor, mas é importante destacar que o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI World) foi a primeira entidade da aviação civil a anunciar oficialmente, em junho de 2021, sua meta de alcançar emissões líquidas zero até 2050, um ano antes de os estados-membros da Organização da Aviação Civil (OACI) fecharem acordo de descarbonização, em outubro de 2022. Este pioneirismo reconheceu não apenas a urgência do tema, mas também a capacidade dos aeroportos de liderar a transição para uma aviação mais sustentável.
Os aeroportos da América Latina e do Caribe têm mostrado que o compromisso se traduz em resultados concretos. Em 2023, a região reduziu 30.710 toneladas de CO₂ em comparação com a média móvel de três anos. Estas reduções são fruto de iniciativas robustas em eficiência energética, adoção de energia renovável e inovação operacional — da instalação de sistemas solares fotovoltaicos à substituição de frotas terrestres por veículos elétricos.
O impacto das ações descritas é sentido diretamente pela sociedade. Comunidades próximas a aeroportos passam a conviver com operações mais limpas e sustentáveis, enquanto economias locais se fortalecem com infraestrutura mais resiliente.
Grande parte dos avanços é orientada pelo programa ACI Airport Carbon Accreditation (ACA), único programa global de certificação de gestão de carbono dedicado exclusivamente a aeroportos. O ACA avalia e reconhece de forma independente os esforços de cada aeroporto, em um sistema estruturado de acreditação que vai desde o mapeamento de fontes emissoras e cálculo de emissões anuais até o nível mais elevado de certificação, em que há o comprometimento com a neutralidade total de emissões sob controle direto do aeroporto e o engajamento efetivo de terceiros.
No último relatório global do programa, os aeroportos participantes em todo o mundo alcançaram uma redução de 1.037.292 toneladas de CO₂ em comparação com a média móvel de três anos. Atualmente há 621 aeroportos certificados em todo o mundo, sendo 104 na América Latina e Caribe. Nossa região é segunda no mundo em número de aeroportos acreditados, atrás apenas da Europa, onde tudo começou e onde o programa conta com 284 aeroportos. No Brasil, o Airport Carbon Accreditation também segue uma expansão acelerada: são hoje 19 aeroportos certificados, gerenciados por sete concessionárias, entre eles um dos dois aeroportos da região no penúltimo nível do programa, o Aeroporto Internacional de Salvador. Ao lado do Aeroporto
Internacional de Quito, no Equador, o aeroporto da capital baiana atingiu o nível 4+ do ACA.
Neste momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, o protagonismo regional ganha ainda mais relevância. O avanço dos aeroportos latino-americanos em descarbonização se conecta ao esforço global da aviação, reforçando a importância da região como aliada estratégica para acelerar a transição energética e o cumprimento das metas climáticas.
A relevância desse movimento não se limita ao setor aéreo. A cada tonelada de CO₂ evitada, a América Latina e o Caribe demonstram que progresso econômico, integração regional e ação climática podem caminhar juntos. O futuro do transporte aéreo sustentável passa, cada vez mais, pelos aeroportos brasileiros e latino-americanos, cuja atuação em rede vem mostrando ao mundo que a descarbonização é possível, necessária e já é uma realidade presente e efetiva.
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