Brasil se aproxima do limite da capacidade aeroportuária e precisa ampliar investimentos
Estudo do SINICON e FIRJAN revela saturação crescente, desigualdade regional e riscos de retrocesso caso novas obras não sejam aceleradas

O setor aeroportuário no Brasil se aproxima de um ponto crítico. Apesar dos avanços recentes trazidos pelas concessões, que modernizaram terminais e sustentaram a retomada pós-pandemia, a infraestrutura atual já demonstra sinais de esgotamento. É o que mostra o Raio-X do Setor de Infraestrutura Brasileiro, estudo elaborado pelo SINICON, em parceria com a FIRJAN, que identifica pressões crescentes e a necessidade urgente de novos investimentos, sobretudo públicos.
Em 2024, os aeroportos brasileiros movimentaram 118,3 milhões de passageiros, volume muito próximo do recorde histórico registrado antes da pandemia. O número, embora positivo, evidencia que a capacidade instalada não acompanha o ritmo de crescimento da demanda. Terminais de carga, como o de Guarulhos, operam próximos do limite, enquanto os acessos terrestres seguem críticos, dificultando tanto o fluxo logístico quanto o deslocamento de passageiros.
A precariedade da malha regional permanece como um dos principais pontos de vulnerabilidade. A falta de infraestrutura adequada fora dos grandes centros amplia a desigualdade da rede aeroportuária, prejudica a conectividade e afeta diretamente o desenvolvimento econômico de regiões inteiras. Além disso, fatores como o alto preço do combustível e a judicialização excessiva encarecem operações, criam insegurança e reduzem a atratividade para novos investidores.
Deterioração - Mesmo aeroportos que passaram por modernização recente, como Guarulhos e Belém, registraram recordes de movimentação em 2024, reforçando a urgência de expansão para evitar deterioração do serviço. A percepção de saturação cresce entre usuários e operadores, especialmente quando se compara a eficiência dos grandes hubs com a limitação da infraestrutura regional.
Em resposta a esse cenário, o Governo Federal prepara uma nova rodada de concessões para até 102 aeroportos regionais, que serão ofertados individualmente. A mudança de modelo pode ampliar a concorrência, mas também exige planejamento sólido para garantir viabilidade e continuidade dos investimentos.
O panorama geral da infraestrutura brasileira reforça essa urgência. Enquanto eletricidade (14,22% do PIB), rodovias (5,88%), telecomunicações (5,10%) e saneamento (4,12%) apresentam estoques mais robustos, todo o conjunto de transporte e logística, incluindo aeroportos, ferrovias, aquaviário e mobilidade urbana, responde por apenas 6% do PIB, índice insuficiente para sustentar o crescimento econômico e a competitividade internacional.
O diretor executivo do SINICON, Humberto Rangel, reforça o alerta:
“Os números mostram que a modernização recente foi importante, mas está longe de ser suficiente. Temos no Brasil, portanto, um copo meio cheio e meio vazio.
A demanda voltou com força, os gargalos se agravaram e vários aeroportos já operam no limite. Se o Brasil não retomar imediatamente um ciclo consistente de investimentos com visão de longo prazo, vamos entrar em um processo de saturação, com impacto direto na qualidade dos serviços e na competitividade do país.“_
Com a retomada da demanda, a saturação crescente e a necessidade de ampliar a conectividade regional, o Brasil chega a um ponto decisivo: sem novos investimentos estruturantes, a infraestrutura aeroportuária não conseguirá acompanhar o ritmo do país nos próximos anos.
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