Carga aérea viabilizou US$ 157 bilhões em comércio antecipado e apoiou o crescimento da IA em 2025
IATA divulga relatório que demonstra o papel vital da carga aérea na sustentação do comércio global e no apoio ao crescimento econômico em 2025

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) divulgou hoje um relatório que demonstra o papel vital da carga aérea na sustentação do comércio global e no apoio ao crescimento econômico em 2025, em meio a uma forte incerteza nas políticas comerciais. As duas principais conclusões do material são:
- A carga aérea possibilitou a antecipação de US$ 157 bilhões em importações dos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2025.
- A carga aérea transportou mais de dois terços dos bens globais relacionados à inteligência artificial em 2025.
Essas atividades contribuíram para que o comércio global crescesse 2,4% em 2025, bem acima das previsões iniciais da World Trade Organization (WTO). O PIB global também se expandiu 3,2%, apesar de fortes obstáculos decorrentes de políticas econômicas.
“A carga aérea é um componente estrutural da resiliência econômica global. Em 2025, ela ajudou empresas a absorver choques tarifários, permitiu uma rápida reestruturação do comércio e apoiou a expansão dos investimentos em inteligência artificial (IA), contribuindo para sustentar o comércio e o crescimento econômico em um ano desafiador”, afirmou Julia Seiermann, head de análise da indústria da IATA.
Aumento da antecipação de importações
Em 2025, as tarifas médias aplicadas pelos Estados Unidos subiram para cerca de 17% – o nível mais alto desde a década de 1930 – com mudanças frequentes de política comercial e aumento das tensões comerciais. Muitas empresas utilizaram transporte aéreo de carga para antecipar envios, tentando evitar ou reduzir o impacto das tarifas.
No primeiro trimestre de 2025, as importações dos EUA cresceram US$ 193 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior – um aumento de 26%. Esse crescimento concentrou-se majoritariamente no transporte aéreo. O valor das importações transportadas por via aérea no primeiro trimestre aumentou 81% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 157 bilhões (82% do aumento total de US$ 193 bilhões registrado no trimestre).
Reestruturação das rotas comerciais
Além do aumento da antecipação de importações (frontloading), as empresas começaram a reestruturar as cadeias de suprimento para reduzir a exposição a tarifas. Importadores dos EUA passaram a deslocar suas fontes de fornecimento para longe de parceiros fortemente expostos a tarifas, enquanto exportadores redirecionaram remessas para mercados alternativos — particularmente na Europa.
A capacidade da carga aérea de permitir a rápida realocação geográfica de comércio de alto valor e sensível ao tempo em resposta a choques de política foi claramente demonstrada. Durante o período de abril a dezembro de 2025, a carga aérea se beneficiou muito mais das rotas comerciais em expansão do que foi impactada por aquelas que se contraíram.
Para os EUA, nas rotas comerciais em expansão, as importações aumentaram em US$ 213 bilhões, dos quais US$ 174 bilhões (82%) foram transportados por via aérea. Enquanto isso, nas rotas comerciais em contração, as importações dos EUA caíram US$ 257 bilhões, dos quais US$ 77 bilhões (30%) eram normalmente transportados por carga aérea. Na Europa, observou-se um padrão semelhante: a carga aérea transportou 48% dos ganhos nas rotas em expansão, mas apenas 3% das perdas nas rotas em contração.
Impulsionando o aumento de investimentos em IA
À medida que os investimentos em inteligência artificial aumentaram em 2025, a carga aérea entregou de forma eficiente e confiável equipamentos de alto valor e sensíveis ao tempo, como servidores, unidades de armazenamento de dados e chips de memória.
Em 2025:
- Mais de dois terços do valor do comércio relacionado à IA foram transportados por via aérea.
- As remessas de carga aérea de bens relacionados à IA cresceram 20% em relação ao ano anterior.
- Os bens relacionados à IA representaram 53,5% do valor total do comércio transportado por via aérea, embora representassem apenas 7% do volume – destacando a alta densidade de valor desse segmento e sua importância estratégica para o setor.
“O rápido aumento da demanda por bens relacionados à IA em 2025 foi atendido graças à carga aérea, permitindo que os investimentos se traduzissem em atividade econômica, em vez de serem limitados pela logística. À medida que as economias passam a depender cada vez mais e de forma estratégica de bens tecnológicos de alto valor, a carga aérea continuará desempenhando um papel fundamental para garantir sua entrega em tempo oportuno”, afirmou Seiermann.
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