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Luiz Fara Monteiro

Companhia aérea suspende instalação de assentos não reclináveis ​​após repercussão negativa

A reconfiguração enfrentou resistência por parte de clientes e funcionários da WestJet

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Configuração de poltronas: espaços menores Divulgação WestJet

Quem viaja de avião há muito tempo já percebeu que algumas companhias aéreas diminuíram o espaço entre as poltronas, tornando a experiência de voo desconfortável para muitos clientes. Em alguns casos, a largura média dos assentos de classe econômica caiu de 47 cm nos anos 2000 para cerca de 43 cm atualmente, enquanto a distância média entre fileiras foi reduzida de 88,9 cm para cerca de 78,7 cm. O objetivo principal de uma empresa que decide por encurtar a distância entre as fileiras está no aumento da receita. As companhias aéreas têm baixa margem de lucro - quando este é alcançado - e por isso algumas optam por “apertar” os passageiros.

Mas a companhia canadense de baixo custo WestJet exagerou na dose. Depois de anunciar, em setembro, que iria reconfigurar os assentos de 43 jatos Boeing 737 para instalar uma fileira extra e dividir a cabine em vários níveis, alguns com mais espaço — e passagens mais caras — do que outros, nas últimos semanas a aérea optou por suspender a instalação de poltronas não reclináveis ​​em grande parte de sua frota, após uma série de críticas dos passageiros e até de funcionários.


Muitas das poltronas da classe econômica teriam menos espaço para as pernas do que a configuração anterior e apresentariam o que a WestJet chamou de “design de reclinação fixa”, o que significa que não poderiam ser reclinadas.

Em um memorando interno obtido pela The Canadian Press, o vice-presidente da WestJet, Robert Antoniuk, informou aos funcionários que a nova configuração será implementada em apenas 22 aeronaves “por enquanto”, sendo que 21 delas já possuem o interior mais compacto.


Entretanto, a empresa sediada em Calgary realizará uma revisão e “continuará a coletar feedback de hóspedes e funcionários”, disse ele na mensagem de terça-feira.

A ideia de que os passageiros teriam que pagar por uma poltrona reclinável — ou então ocupar uma poltrona fixa com menos espaço — gerou algumas reações negativas tanto dos passageiros quanto dos comissários de bordo nos últimos meses.


Em um comunicado aos membros, o sindicato apontou para o espaço reduzido para as pernas, “comparável ao de companhias aéreas de baixo custo como Spirit, Wizz Air e Frontier”. Afirmou que as condições mais apertadas dificultavam o acesso de passageiros com “mobilidade variável”, cadeirinhas de carro e animais de estimação, além do espaço limitado nos compartimentos de bagagem de mão, “apesar do aumento na capacidade de passageiros”, de acordo com a atualização de agosto do contingente da WestJet do Sindicato Canadense de Funcionários Públicos.

No Brasil, já há alguns anos a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) exige que as empresas aéreas informem aos passageiros a distância existente entre as poltronas dos aviões. Para isso, foi criado um selo a ser exibido no sistema de vendas de passagens, além de uma etiqueta afixada nas poltronas dos aviões.


A etiqueta deve informar o espaço útil, em centímetros, entre um assento e outro. Segundo a determinação, as companhias aéreas do Brasil que operam voos regulares com aviões acima de 20 assentos devem obrigatoriamente usar a etiqueta, diz a Anac.

Os espaços foram divididos em cinco faixas: A (mais de 73 centímetros); B (de 71 cm a 73 cm), C (de 69 cm a 71 cm), D (de 67 cm a 69 cm) e E (menos de 67 cm). As aeronaves classificadas na categoria A receberão o selo da Anac que atesta o melhor espaço útil oferecido no mercado.

Para definir as faixas da etiqueta, foi realizada a medição em 5,3 mil passageiros, de 15 a 87 anos, nos 20 principais aeroportos brasileiros. Na média, a medida glúteo-joelho dos passageiros no Brasil varia entre 55 cm e 65 cm.

O que a ANAC exige:

  • Etiqueta ANAC: As companhias devem exibir uma etiqueta com a classificação do espaço (A-E) para as classes econômica e, se aplicável, executiva.
  • Informação na Compra: A medida deve aparecer no momento da reserva e compra da passagem, assim como largura e inclinação do assento.
  • Foco na Transparência: A regra visa dar ao consumidor o poder de escolha baseado no conforto, evitando surpresas desagradáveis. 

Regras Adicionais Importantes:

  • Menores de Idade: Crianças e adolescentes devem ser acomodados ao lado de um adulto da reserva, mesmo que não paguem pela marcação do assento.
  • Pessoas com Necessidade de Assistência Especial (PNAE): A ANAC garante assistência e acomodação adequada para PNAEs (deficientes, idosos, gestantes). 

A companhia tem a obrigação de informar o espaço (pitch) de forma clara, mas a autonomia para definir esse espaço (dentro de padrões mínimos de segurança e conforto) ainda é do setor, com a ANAC fiscalizando o cumprimento das regras de informação e assistência. As normas de assentos em aeronaves obedecem, entretanto, na capacidade de evacuação de todos a bordo em tempo hábil, em casos de emergências.

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