Departamento de Defesa se pronuncia sobre quase colisão entre aeronaves comercial e militar dos EUA no Caribe
Companhias aéreas comerciais estavam cientes sobre operações de aeronaves militares na região, que podem operar com ‘localizador’ desligado

O Comando Sul dos Estados Unidos (USSOUTHCOM), responsável por providenciar planejamento de contingência, operações, e cooperação de segurança para a América Central, do Sul e Caribe - submetido ao Departamento de Defesa - se pronunciou a respeito do incidente registrado na última sexta-feira (12) próximo à costa da Venezuela, quando o voo JBU1112 da companhia aérea americana JetBlue, operado por um Airbus A320, quase colidiu com um avião-tanque de reabastecimento da Força Aérea americana.
“Estamos cientes das recentes notícias sobre as operações de aeronaves militares dos EUA no Caribe e estamos analisando o assunto. As tripulações aéreas militares são profissionais altamente treinados que operam de acordo com os procedimentos estabelecidos e os requisitos aplicáveis ao espaço aéreo. A segurança continua sendo nossa principal prioridade e estamos trabalhando pelos canais apropriados para avaliar os fatos que envolvem a situação”.
O ocorrido se dá em um momento em que as Forças Armadas dos EUA intensificam suas atividades de combate ao narcotráfico no Caribe e buscam aumentar a pressão sobre o governo venezuelano. A aeronave militar americana operava aparentemente com o transponder, uma espécie de localizador’, desligado. O dispositivo é ativado na cabine de comando dos aviões, e serve para identificar a aeronave nos radares, além de emitir um alerta de seu posicionamento para outras aeronaves.
Em espaço aéreo internacional as aeronaves militares americanas ou outras aeronaves estatais podem operar sob um princípio conhecido como “Due Regard”, com o transponder desligado. Nessas condições, a tripulação militar opera com extrema cautela e atua como seu próprio controle de tráfego aéreo para garantir a separação e a segurança de todas as outras aeronaves civis. O princípio do Due Regard permite que as regras convencionais de separação entre aeronaves sejam desconsideradas, incluindo as comunicações com os Centros de Controle de Tráfego Aéreo (ATCs). A aplicação do Due Regard é de responsabilidade da tripulação militar. A tripulação do A320 da JetBlue sabia, ou deveriam saber, da possibilidade de tráfego militar na região, uma vez que um comunicado oficial aos aeronavegantes, chamado na aviação de “NOTAM” foi emitido pelo governo americano para a região. A investigação deverá esclarecer o motivo da quase colisão.
Apesar do NOTAM e do protocolo do Due Regard ativados, o piloto da JetBlue reportou a ocorrência, deixando claro que a aeronave militar cruzou o seu caminho. O jato seguia para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York.
“Quase tivemos uma colisão no ar aqui em cima”, disse o piloto da JetBlue, de acordo com uma gravação de sua conversa com o controle de tráfego aéreo. “Eles passaram diretamente na nossa rota de voo... Eles não estão com o transponder ligado, é um absurdo.”
“Acabamos de ter uma aeronave passando bem na nossa frente, a menos de 8 quilômetros — talvez 3 ou 5 quilômetros —, mas era um avião-tanque da Força Aérea dos Estados Unidos e estava na nossa altitude”, disse o piloto. “Tivemos que interromper a subida.” O piloto disse que o avião da Força Aérea então entrou no espaço aéreo venezuelano.
Derek Dombrowski, porta-voz da JetBlue, disse no domingo:
“Reportamos este incidente às autoridades federais e participaremos de qualquer investigação.” Ele acrescentou: “Nossos tripulantes são treinados nos procedimentos adequados para diversas situações de voo e agradecemos a eles por relatarem prontamente essa situação à nossa equipe de liderança.”
No mês passado , a Administração Federal de Aviação emitiu um alerta para aeronaves americanas, recomendando que “exerçam cautela” ao sobrevoar o espaço aéreo venezuelano, “devido ao agravamento da situação de segurança e ao aumento da atividade militar na Venezuela e em seus arredores”.
De acordo com a gravação do tráfego aéreo, o controlador respondeu ao piloto: “Tem sido um absurdo essa presença de aeronaves não identificadas em nosso espaço aéreo.”
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