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Luiz Fara Monteiro

Feira de Turismo destaca turismo indígena com a cultura Balatiponé em Mato Grosso

Cacique apresentou a iniciativa durante a Feira Internacional de Turismo de Gramado, mostrando o fortalecimento da cultura e da economia nas aldeias

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Aldeias que Encantam: a cultura Balatiponé em Mato Grosso Divulgação Festuris

A cerca de 200 quilômetros de Cuiabá, capital de Mato Grosso, o etnoturismo vem ganhando espaço e despertando o interesse de visitantes de diversas partes do mundo. Desde janeiro de 2024, o Território Indígena Umutina, em Barra do Bugres, passou a receber turistas – em sua maioria americanos e europeus – para vivências imersivas nas aldeias do povo Balatiponé.

O projeto foi apresentado pelo cacique Felisberto Cupudunepá durante o 37º Festuris – Feira Internacional de Turismo de Gramado, realizado nos dias 7 e 8 de novembro, no Serra Park, em Gramado (RS). A participação marcou a estreia do turismo de base comunitária indígena do Mato Grosso em um dos maiores eventos do setor nas Américas, aproximando culturas e mostrando ao público uma forma autêntica e sustentável de fazer turismo.


A iniciativa, totalmente legalizada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Governo do Estado de Mato Grosso, nasceu com o propósito de fortalecer a cultura local e gerar renda de forma sustentável. Cada uma das 14 aldeias do território, que ocupa uma área de 28 mil hectares, abriga entre 50 e 80 moradores. Destas, seis aldeias estão estruturadas para receber visitantes e oferecem experiências genuínas de convivência e aprendizado por meio do turismo. Turismo como ferramenta de fortalecimento comunitário O cacique Felisberto Cupudunepá explica que o turismo surgiu como uma estratégia para valorizar a cultura e criar oportunidades dentro do território.

“Quando a gente decidiu trabalhar com turismo, tinha um objetivo claro: gerar renda por meio da divulgação da nossa cultura. Assim, o recurso que vem dos turistas ajuda a trazer de volta o nosso pessoal que saiu das comunidades por falta de opção de renda. O turismo é um instrumento para gerar prosperidade dentro das aldeias”, afirma.


O líder ressalta que o projeto também reforça a cooperação entre as aldeias. “Quando um turista visita uma comunidade, ele acaba envolvendo moradores das outras aldeias. O benefício é direto ou indireto para todos”, completa.

Segundo o cacique, o povo Balatiponé se organiza em famílias com diferentes aptidões, como agricultura, pesca e extrativismo, o que torna o turismo uma atividade integrada. “É como se fossem clãs. Cada grupo tem sua habilidade, e o turismo nasce da união de todos”, explica.


Vivências e culturas reais Cada aldeia oferece experiências próprias, que vão desde apresentações culturais e danças tradicionais até rituais realizados em épocas específicas do ano. Os visitantes também participam de trilhas com plantas medicinais, oficinas de grafismo e atividades como pesca, preparo de farinha e bebidas típicas.

“Lá tudo é raiz, a cultura está viva, nada é montado apenas para o turismo”, explica Arthur Varanis, empresário responsável pelo desenvolvimento do projeto. “O tempo de estruturação foi de 12 meses, com a equipe de consultoria trabalhando junto com os indígenas. Mas o projeto é 100% gerenciado por eles”, destaca. Desde o início, mais de 30 turistas estrangeiros já participaram das vivências. Um casal de canadenses, encantado com a experiência, chegou a planejar o retorno à aldeia para realizar seu casamento no local.


“É muito gratificante levar um pouco da nossa cultura, ainda mais porque o nosso povo foi dado como extinto no século passado. Hoje mostramos que estamos vivos, com nossos rituais e tradições preservados”, celebra o cacique Felisberto.

Como visitar as aldeias da base comunitária dos Balatiponé. As reservas e os pagamentos são realizados de forma online, por meio do site do projeto: balatipone.com.br, garantindo transparência e autonomia às comunidades envolvidas.

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