Guerra no Oriente Médio cancela 1 a cada 20 voos programados no mundo
Conflito faz preço do combustível de aviação mais que dobrar

A guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, um dos principais produtores mundiais de petróleo, fez o valor do óleo subir e, consequentemente, o querosene de aviação, que no setor é chamado pela sigla QAV. Companhias aéreas de todo o mundo estão cancelando milhares de voos depois que a guerra fez com que os preços mais que dobrassem.
De acordo com a empresa de análise de dados de aviação Cirium, mais de um em cada 20 voos programados para decolar na segunda-feira foi cancelado, informa reportagem do Telegraph.
Esse número é quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. O combustível de aviação custava US$ 742 por tonelada métrica há um ano, mas agora ultrapassou os US$ 1.710. Os preços estão subindo porque o fechamento do Estreito de Ormuz , por onde passa um quinto do petróleo mundial, está restringindo o fornecimento.
Os preços estão disparando com a contínua alta do petróleo, com o Brent chegando a US$ 116 por barril no início do pregão de segunda-feira.
Além dos preços mais altos, crescem as preocupações com a escassez de combustível de aviação. É necessário mais petróleo para refinar um litro de combustível de aviação em comparação com a gasolina e o diesel, o que significa que uma redução nos preços do petróleo bruto representa um golpe desproporcional para o mercado.
Segundo o Financial Times, o Reino Unido deverá receber esta semana o seu último carregamento conhecido de combustível de aviação proveniente do Oriente Médio.
No Brasil, o governo federal estuda medidas para proteger o setor de aviação nacional diante da escalada de conflitos no Oriente Médio. O Ministério da Fazenda avalia, com base em sugestão da Secretaria Nacional de Aviação Civil, a redução temporária de tributos sobre o QAV e a diminuição do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações das companhias aéreas, buscando conter o aumento de cerca de 15% registrado nas passagens.
Em um artigo publicado no X, Alex Macheras, analista de aviação, alertou que “uma grave escassez de combustível de aviação pode ocorrer em menos de uma semana em diversos mercados”, incluindo “alguns dos principais aeroportos europeus”.
Macheras afirmou que os aeroportos estavam “informando as companhias aéreas para se prepararem para um possível cenário de ‘falta de combustível disponível aqui’”.
“Este não é [apenas] um problema europeu – companhias aéreas internacionais da Ásia, América do Sul, África… estão trabalhando em planos de contingência, que incluem tentativas de paradas para reabastecimento durante a viagem de ida e volta, à medida que a escassez de combustível de aviação se agrava para níveis sem precedentes [e] o preço continua a subir.”
As companhias aéreas que confirmaram cortes de voos incluem a Air New Zealand, que cancelou 1.100 voos até o início de maio, e o grupo escandinavo SAS, que cancelará 1.000 voos no próximo mês. Ambas afirmaram que os cortes afetarão principalmente rotas domésticas.
Na semana passada, a Vietnam Airlines, companhia aérea de bandeira do Vietnã, afirmou que precisaria cortar entre 10% e 20% de seus voos por mês no próximo trimestre, caso o preço do querosene de aviação atinja entre US$ 160 e US$ 200 por barril, segundo informações da mídia estatal. Isso afetaria até 18% de seus voos internacionais e mais de um quarto de sua malha aérea doméstica.
No início deste mês, a United Airlines tornou-se a primeira grande companhia aérea dos EUA a cancelar voos devido ao aumento vertiginoso dos custos de combustível, cortando cerca de 5% da capacidade em rotas menos lucrativas para a empresa.
Scott Kirby, diretor executivo da companhia aérea americana, a maior do mundo em capacidade, disse à Bloomberg que os custos das passagens aéreas podem subir 20% se os preços do combustível de aviação permanecerem altos.
Além dos custos com combustível, a guerra no Irã está provocando cancelamentos de voos, já que as viagens no Oriente Médio estão sendo afetadas. A British Airways (do grupo IAG), a Air France-KLM e a Lufthansa estão entre as diversas companhias aéreas que cancelaram voos programados para e da região.
De acordo com a Cirium, cerca de 7% dos 104.618 voos programados em todo o mundo foram cancelados na segunda-feira, ou seja, 7.049 voos.
No mesmo dia do ano passado, cerca de 4.797 dos 102.132 voos foram cancelados, ou seja, 4,7%.
O aumento nos cancelamentos é especialmente acentuado na América do Norte, onde 14,6% dos voos de partida foram cancelados, em comparação com 4,4% no ano passado.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp















