Logo R7.com
RecordPlus
Luiz Fara Monteiro

Iata debate descarbonização da aviação civil em evento da Anac

Associação do Transporte Aéreo Internacional reforça políticas públicas adequadas para viabilizar combustível sustentável

Luiz Fara Monteiro|Luiz Fara MonteiroOpens in new window

  • Google News
IATA e Anac: “Desafios da Aviação Civil – Próximos 5 Anos” Leo Drumond / NITRO via BH Airport

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) participou essa semana do evento “Desafios da Aviação Civil – Próximos 5 Anos”, promovido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em Brasília. A diretora-geral da IATA no Brasil, Simone Tcherniakovsky, integrou a mesa-redonda sobre descarbonização, trazendo a perspectiva global da associação para o debate sobre o novo planejamento estratégico da agência para o período 2027–2030.


No centro do debate esteve o Combustível Sustentável de Aviação (SAF), principal vetor para que a aviação alcance emissões líquidas zero de carbono até 2050, meta assumida globalmente pela indústria e pelos Estados no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). A IATA estima que 65% da redução total de emissões necessária deverá vir do SAF. O ponto de partida, porém, ainda é crítico: hoje o SAF representa apenas 0,8% do consumo global de combustível na aviação.

“O desafio deixou de ser definir metas ou compromissos – o verdadeiro desafio é transformar essas ambições em produção efetiva”, afirmou Simone Tcherniakovsky durante o painel.


Brasil tem potencial, mas precisa de políticas bem calibradas

A executiva destacou que o Brasil reúne condições únicas para se posicionar como líder global na produção de SAF, com biomassa abundante, base de refino consolidada e um arcabouço regulatório favorável, incluindo a Lei nº 14.993/2024. No entanto, a realidade atual ainda é de baixa produção e pouca previsibilidade sobre disponibilidade e custo futuro do combustível.


A IATA alertou para o risco de desalinhamento entre o ritmo das políticas públicas e o estágio de desenvolvimento do mercado. Com metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa por meio da utilização do SAF a partir de 2027, a introdução prematura de mandatos, antes que haja oferta suficiente, pode resultar em aumento expressivo de custos operacionais, redução de conectividade e desincentivo ao investimento.

Quatro prioridades para a regulação da aviação brasileira


Durante o debate, a IATA estruturou sua contribuição em torno de quatro eixos prioritários para o planejamento estratégico da ANAC:

Alinhamento com o CORSIA e o net zero global: a regulação brasileira deve ser coerente com os mecanismos internacionais de compensação de carbono adotados no âmbito da ICAO, evitando duplicidade de obrigações e garantindo competitividade às companhias aéreas brasileiras.

Habilitação de um mercado funcional de SAF: são necessários incentivos econômicos para reduzir o gap de preço em relação ao querosene convencional e instrumentos flexíveis, como o book & claim — mecanismo que permite desacoplar a entrega física do SAF da aquisição de seus atributos ambientais, viabilizando crescimento da demanda antes que toda a infraestrutura esteja constituída.

Eficiências de infraestrutura e operações: melhorias na gestão do espaço aéreo, modernização de frota e eficiência nos aeroportos têm potencial imediato de redução de emissões e devem integrar a agenda regulatória.

Previsibilidade regulatória: investimentos em descarbonização exigem horizontes de longo prazo. A ANAC tem papel central em garantir uma regulação tecnologicamente neutra, flexível e coordenada com os demais órgãos envolvidos — energia, fazenda, agricultura e meio ambiente.

“No Brasil, onde o transporte aéreo é essencial para a integração de um país continental, equacionar crescimento e sustentabilidade é um dos maiores desafios regulatórios e operacionais da próxima década. Não basta definir metas ambiciosas — é preciso garantir que elas sejam executáveis”, concluiu Simone.

O evento da ANAC, realizado em três encontros ao longo de maio de 2026, reuniu representantes do setor público e privado para subsidiar a construção do novo planejamento estratégico da agência. Os resultados devem orientar as prioridades regulatórias da aviação civil brasileira até 2030.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.