Itália tem nova companhia aérea

ITA promete eficiência administrativa. Alitalia fez seu último voo, sob protestos de desempregados e sindicatos

Apresentação da ITA, companhia que substitui a Alitalia

Apresentação da ITA, companhia que substitui a Alitalia

Vincenzo Pace

O nome é Italy Air Transport, mas pode chamar de ITA.

A nova companhia italiana nasceu nesta sexta-feira às 6h20 no voo doméstico que partiu do aeroporto de Linate, em Milão, para Bari, no Mar Adriático. A ITA sai do papel já voando para 44 destinos. Número que pode chegar a 75 em quatro anos, de acordo com suas projeções.

Pode-se dizer que a companhia é uma espécie de continuação da Alitalia, que encerrou suas operações esta semana após 75 anos de uma existência que misturou glamour e tradição com muita instabilidade administrativa e turbulência financeira. Desde 2017 a companhia vinha sendo dirigida por administradores nomeados pelo estado para evitar sua liquidação. Segundo a Euronews Travel e a Reuters, a empresa terminou apenas um ano no azul nas últimas décadas, levando o governo a socorrê-la em mais de € 8 bilhões apenas nos últimos três anos.

"O grande erro foi não investir no lucrativo mercado de longa distância" , disse à AFP Andrea Giuricin, economista de transportes da Universidade de Bicocca em Milão. Giuricin prevê dificuldades futuras para a ITA concorrer com gigantes como Air France-KLM e Lufthansa em rotas internacionais e com as aéreas de baixo custo no mercado doméstico

O novo empreendimento foi firmado com supervisão da União Europeia. E nasce sem dívidas. O negócio tem apoio do governo italiano e dará à ITA permissão para usar o nome e a identidade de seu antecessor, incluindo o domínio do site, a marca e os uniformes.

A agência AP informou que os aviões da ITA terão a tonalidade azul royal com a marca registrada da Alitalia "tricolore" na cauda, ​​refletindo o vermelho, branco e verde da bandeira italiana. Numa referência ao azul da seleção italiana de futebol, funcionários afirmaram que o esquema de cores escolhido para a nova aeronave visa tornar a ITA "azzurri" - o mesmo apelido do selecionado nacional.

A Alitalia, que pedia € 290 milhões por seu patrimônio, fechou o negócio por € 90 milhões. Por este valor, a ITA assumirá metade dos aviões e slots de pouso da Alitalia. Slots são espaços e horários concedidos para que uma empresa aérea possa usar a infraestrutura aeroportuária. São 52 aeronaves com planos de duplicação  da frota para 105 até 2025. Boa parte dela, de acordo com seus executivos, formada por aeronaves de última geração que usam fontes alternativas de combustível sustentáveis.

A ITA terá uma operação menor que sua antecessora nem absorverá todos seus funcionários, o que deixará milhares de funcionários da Alitalia desempregados. Uma parte das 2.800 pessoas será recrutada ainda neste ano, com possibilidade de contratação de mais 5.750 funcionários em 2022, o equivalente a metade dos 10.500 funcionários da Alitalia.

Sindicatos do setor protestam e denunciam que a nova companhia tem feito "contratos de desconto", com cortes de salários de até 20 % para a maioria dos profissionais e até 40% para os pilotos.

O histórico de dificuldades da Alitalia se agravou durante a pandemia, a partir de 2020. Situação semelhante a enfrentada pela também ex-gigante South African Airways. A companhia sul-africana teve as operações interrompidas em setembro do ano passado,e já enfrentava sérios problemas financeiros.

Em junho desse ano, o governo de Pretória anunciou que abriria mão do controle da SAA e vendeu 51% das ações ao Takatso, uma joint venture entre a empresa de investimento em infraestrutura Harith (como acionista majoritário e financiador do acordo SAA) e a Global Aviation, que opera a companhia aérea de baixo custo LIFT. Prevê-se que o consórcio terá que investir o equivalente a R$ 1 Bi na "nova" SAA, que voltou a voar algumas de suas antigas rotas em 23 de setembro último.

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