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Luiz Fara Monteiro

O novo luxo no turismo internacional: por que o planejamento virou ativo de valor?

Em meio à saturação informacional, a curadoria baseada em vivência real surge como resposta à fadiga de escolha e ao alto custo do erro em viagens de alto padrão

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Viajantes estão menos disposto a improvisos e mais atentos a propostas personalizadas William Alves

Planejar deixou de ser um detalhe operacional para se tornar parte central da experiência no turismo internacional. Diante de ofertas genéricas, avaliações contraditórias e excesso de estímulos digitais, o luxo contemporâneo passou a ser definido pela inteligência do percurso: otimizar o tempo, reduzir fricções e garantir previsibilidade emocional ao viajante.

Essa mudança reflete uma transformação clara de comportamento no setor. Dados da Organização Mundial do Turismo confirmam a retomada consolidada das viagens internacionais, acompanhada por um viajante menos disposto a improvisos e mais interessado em propostas personalizadas, capazes de evitar desgaste e desperdício ao longo da jornada.


O planejamento como luxo invisível

Dentro dessa lógica, o planejamento funciona como um ativo de luxo invisível. Ele define o ritmo da viagem e a qualidade das escolhas. Segundo a empresária e curadora Carmita Ribeiro, fundadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo, o novo luxo está diretamente ligado à curadoria baseada em vivência real. Com experiência em mais de 65 países, ela observa que o planejamento deixou de ser sinônimo de rigidez para representar liberdade estruturada.


“O excesso de informação cria a falsa sensação de controle. Quando tudo parece disponível, o erro fica mais caro. Planejar bem é garantir que o tempo trabalhe a favor da experiência, e não contra ela”, afirma Carmita. O planejamento profissional surge, assim, como uma resposta direta à fadiga de escolha gerada pelo ruído das plataformas digitais.

Carmita Ribeiro: empresária e criadora do projeto Mala Vermelha pelo Mundo Divulgação

O custo do erro e o esforço cognitivo


O custo do erro tornou-se um fator central. Escolhas inadequadas de localização ou deslocamentos mal calculados podem comprometer dias inteiros de uma viagem internacional. Com passagens e serviços mais onerosos, improvisar deixou de ser um charme para se tornar um risco financeiro e emocional.

Esse comportamento dialoga com mudanças no consumo de alto padrão. Estudos globais indicam que consumidores de maior renda têm priorizado serviços que reduzem o esforço cognitivo e ampliam a sensação de controle. No turismo, isso se traduz em planejamento estratégico, itinerários desenhados sob medida e decisões alinhadas ao propósito de cada viajante.


Curadoria além da ostentação

Para Carmita Ribeiro, a curadoria não se resume a selecionar hotéis exclusivos, mas a equilibrar estímulos e respeitar o ritmo do viajante. “Luxo hoje é saber exatamente por que você está em um lugar e o que faz sentido viver ali. Trata-se de transformar a viagem em um processo contínuo de bem-estar”, resume.

Ao deslocar o foco da ostentação para a inteligência da jornada, o turismo internacional revela uma nova hierarquia de valores. Planejar virou o novo luxo porque protege o tempo e preserva a energia. Em um mundo acelerado, a sofisticação passou a estar na escolha consciente do caminho.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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