Passagem aérea é o item principal nos orçamentos das empresas em 2026, aponta estudo inédito
Levantamento elaborado pela agência de viagens corporativas VOLL apresenta um panorama de indicadores para este ano na gestão de viagens corporativas

Um estudo inédito elaborado pela VOLL, maior agência de viagens corporativas digital da América Latina, prepara as empresas brasileiras para o planejamento orçamentário das viagens a trabalho em 2026. O levantamento indica que o dólar deve se manter num patamar elevado, próximo de R$ 5,50, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em torno de 4,2% e a taxa básica de juros Selic, apesar de ainda alta, tende a iniciar um ciclo de queda gradual, encerrando o ano em torno de 12%.
“Esses e outros fatores econômicos impactam diretamente nas despesas corporativas. Com o nosso estudo, especialmente realizado para profissionais de gestão de viagens, facilities e procurement, as empresas conseguem fazer um planejamento financeiro mais preciso e se organizar para maximizar seus índices de eficiência nos investimentos em viagens de negócios em 2026”, afirma Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da VOLL.
Despesas corporativas e inflação
O estudo chama atenção para o impacto da inflação sobre despesas corporativas, como alimentação, saúde, mobilidade urbana e combustíveis. “Embora o IPCA seja voltado ao consumo das famílias, seus componentes influenciam diretamente os custos das empresas”, ressalta Luiz. Em 2023, o índice acumulou 4,62%, e em 2024, 4,83%, e assim as projeções apontam para uma inflação de 4,18% em 2026.
A VOLL recomenda que as empresas usem as projeções de inflação como base para o planejamento do orçamento, comparando esses números com o histórico real de gastos em viagens. A partir disso, é possível estimar quanto as despesas tendem a aumentar ou diminuir ao longo do ano e se preparar com antecedência para reajustes, evitando surpresas no orçamento.
Passagens aéreas: câmbio e combustível no centro das decisões
No transporte aéreo, o estudo destaca dois fatores-chave: o câmbio e o preço do querosene de aviação (QAV). Nos últimos anos, o combustível chegou a representar cerca de 35% do custo operacional das companhias aéreas e permanece como um dos principais vetores de pressão tarifária. Em 2025, a Petrobras realizou ajustes mensais no preço e o QAV acumulou uma queda de 2,4% em relação a dezembro de 2024, mesmo com uma alta pontual de 1,4% em novembro.
Para 2026, a expectativa é de crescimento contínuo da demanda por QAV no Brasil, estimado em 1,9%, o equivalente a aproximadamente 3,1 bilhões de litros, segundo projeções do setor energético. Ao mesmo tempo, o mercado global de petróleo pode enfrentar um cenário de superávit, o que tende a atenuar pressões adicionais sobre os preços.
O estudo também aponta que, apesar da percepção de encarecimento, a variação do ticket médio das passagens aéreas tem sido relativamente baixa nos últimos anos. Para os clientes que fazem uso da plataforma da VOLL, o valor médio têm diminuído continuamente, ano após ano, passando de R$ 662,61 em 2022 para R$ 636,32 em 2023 e R$ 631,16 em 2024. O cofundador da VOLL lembra que, ainda assim, a sazonalidade segue relevante: “Meses como janeiro, julho e dezembro concentram altas associadas a férias e celebrações de fim de ano, enquanto março e outubro costumam apresentar janelas de preços mais baixos.”
Hospedagem: demanda aquecida e tarifas em alta
Na hotelaria, o cenário é de crescimento no país, impulsionado principalmente pelo fortalecimento dos voos domésticos. Entre janeiro e agosto de 2025, o setor registrou aumento de 2,5% na taxa de ocupação e 13,8% na Receita por Quarto Disponível (RevPAR), em comparação com o mesmo período do ano anterior.
“O dólar em alta e o encarecimento das viagens internacionais têm direcionado parte da demanda para destinos nacionais, elevando a ocupação e pressionando tarifas”, comenta Luiz. Ele explica que, também por isso, as projeções para 2026 indicam um crescimento de 4,8% para o turismo e de 3,7% para a hotelaria, com faturamento estimado em R$ 28,5 bilhões, um patamar considerado histórico para o setor. “Existe um lado bastante positivo disso, que é o fato de explorarmos o potencial do Brasil e fazer com que o dinheiro circule aqui dentro, fortalecendo nossa economia.”
Outro fator relevante é o volume de investimentos em novos empreendimentos imobiliários no setor, que superou R$ 10,5 bilhões em 2025. As regiões Sudeste e Sul concentram 73% dos hotéis em construção, majoritariamente no interior dos estados. Depois do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), finalizado neste ano, o estudo aponta um ambiente de confiança, com demanda aquecida e novos projetos em curso.
Locação de veículos: juros ainda pressionam o setor
O segmento de locação de veículos segue impactado pelo nível elevado da taxa básica de juros. A Selic, que saiu de 2% ao ano em 2021 e alcançou 15%, encareceu o custo de capital das locadoras e limitou a renovação e expansão das frotas. Mesmo com a expectativa de alívio gradual em 2026, os juros devem continuar em um patamar restritivo.
As projeções indicam queda de cerca de 6% nas vendas de veículos zero quilômetro, enquanto o mercado de locação deve manter crescimento, embora em ritmo mais moderado. “A menor oferta de automóveis elétricos e híbridos vai pressionar o valor das diárias, porque esses veículos estão na mira das metas de sustentabilidade e eficiência operacional de muitas empresas”, analisa o cofundador da VOLL.
Outros dados podem ser conferidos no estudo completo Gestão do orçamento de viagens corporativas 2026 da VOLL.
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