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Luiz Fara Monteiro

Planejamento rigoroso separa sonho de imprudência na aviação de longa distância

Rota de 74 mil quilômetros 45 países e 150 dias de voo mostram como método gestão de risco e disciplina sustentam travessia aérea intercontinental

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Gestor de recursos Alexandre Frota prepara volta ao mundo solo em um monomotor Samuel Gomes

Cruzar cinco continentes sozinho, em um monomotor experimental, é um projeto que exige estrutura técnica, governança e controle de risco. A jornada prevê 74 mil quilômetros estimados, passagem por 45 países e duração aproximada de 150 dias, conforme material institucional do projeto.

Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana, é gestor de recursos credenciado pela CVM e criador do Frotas Pelo Mundo, projeto que prevê a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro. Ele afirma que estruturou a expedição com base em método e controle de risco. Segundo a apresentação institucional, menos de 300 pessoas no mundo realizaram feito semelhante. “Não existe aventura sem cálculo. Planejamento é o que transforma um sonho grande em execução responsável”, diz.


Formado em Administração pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC, gestor de recursos credenciado pela CVM e detentor das certificações CGA, CFP® e CEA, ele estruturou a viagem com base em princípios de governança e controle de risco. “Assim como na gestão de patrimônio, eu não controlo todas as variáveis externas. O que eu controlo é a preparação, a margem de segurança e a capacidade de resposta”, afirma.

A estrutura da jornada inclui estudo detalhado de rotas, definição de aeroportos alternativos, obtenção de autorizações internacionais de sobrevoo e pouso, análise meteorológica por região, gestão de combustível com reservas técnicas ampliadas, contratação de seguro aeronáutico com cobertura internacional e matriz formal de controle de risco.


Como se estrutura uma travessia aérea global

O planejamento começou pelo desenho macro da rota e pela avaliação técnica da aeronave, incluindo desempenho em diferentes altitudes, temperaturas e extensões de pista. Em seguida vieram as tratativas regulatórias, já que cada país estabelece exigências próprias para ingresso no espaço aéreo.


A meteorologia é tratada como variável estratégica. Regiões do Ártico, norte da Europa e trechos do Pacífico exigem janelas específicas de operação. “Não se decide a data pela conveniência. Analisa-se histórico climático, sazonalidade e padrões de instabilidade”, explica.

A gestão de combustível é calculada com reservas superiores ao mínimo regulatório, prevendo aeroportos alternativos viáveis. Já o seguro aeronáutico foi estruturado para cobrir múltiplas jurisdições, considerando regras locais e exigências específicas de cada território.


Benefícios e aprendizados para empresas

A metodologia aplicada à jornada tem sido apresentada como referência de governança para empresas interessadas em expansão internacional ou projetos de alta complexidade.

“Expansão sem estudo regulatório e análise de risco vira aposta. O mesmo vale para voos longos. A disciplina técnica é o que protege o projeto e o capital envolvido”, afirma.

Para marcas interessadas em associar sua imagem a iniciativas desse porte, ele recomenda avaliação criteriosa de três pontos: estrutura jurídica formalizada, matriz de risco documentada e métricas claras de entrega. “Patrocínio precisa ser contrato estruturado, com previsibilidade e indicadores.”

Por onde começar e quais cuidados tomar

A recomendação para quem deseja estruturar voos de longa distância é iniciar por diagnóstico técnico e financeiro completo. “Primeiro valide aeronave, qualificação e orçamento total. Depois pense em exposição e narrativa”, diz.

Ele também orienta a contratação de empresas especializadas em despacho internacional e planejamento de rota, responsáveis por autorizações diplomáticas, coordenação com autoridades locais e gestão de slots aeroportuários. “É investimento em segurança. Economizar nessa fase pode comprometer todo o projeto.”

Documentação e seguro são pontos críticos. Cada país pode exigir cláusulas específicas, e falhas contratuais podem impedir pousos ou gerar prejuízos relevantes.

Cinco pilares para reduzir risco em voos intercontinentais

Antes de listar os pontos centrais, ele resume: “Risco zero não existe. O que existe é risco administrado com método.”

  • Estudo técnico de rota: análise de performance da aeronave, altitudes ideais e aeroportos alternativos.
  • Autorizações internacionais antecipadas: cumprimento das exigências regulatórias de cada país.
  • Planejamento meteorológico estratégico: escolha de períodos com maior previsibilidade climática.
  • Gestão ampliada de combustível: reservas técnicas acima do mínimo regulatório.
  • Seguro internacional e matriz formal de risco: cobertura contratual adequada e cenários de contingência mapeados.

A volta ao mundo, prevista para percorrer 74 mil quilômetros e 45 países em cerca de 150 dias, é definida pelo piloto como um projeto de execução disciplinada. “Coragem sem planejamento é imprudência. Coragem com método é estratégia.” conclui.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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