Luiz Fara Monteiro Entenda a declaração de 'mayday' por piloto da Azul após despressurização a bordo

Entenda a declaração de 'mayday' por piloto da Azul após despressurização a bordo

Voo que ia de Natal a Belo Horizonte precisou retornar à capital potiguar após o Airbus A320 sofrer uma despressurização a 11 km de altitude

Despressurização na cabine: pilotos utilizam máscara de oxigênio para evitar perda das funções cognitivas
Despressurização na cabine: pilotos utilizam máscara de oxigênio para evitar perda das funções cognitivas CIT

"Mayday, Mayday, Mayday, Azul quatro zero zero uno, descida rápida para o nível uno zero zero"!

Na última segunda-feira (22) o piloto do voo AD-4001, da Azul Linhas Aéreas, declarou "Mayday" ao experimentar um problema de despressurização no avião modelo A320neo, que cumpria a rota entre as cidades de Natal, no Rio Grande do Norte, e Belo Horizonte, Aeroporto de Confins. 

A expressão "mayday" vem do francês "m'aider", que mundialmente significa "me ajude". Na aviação, outro termo aplicado em questões urgentes é chamado de "PAN PAN", também originário do francês "panne", que significa "pane" em português. 

Quando um piloto declara "PAN PAN", significa que existe uma urgência a bordo, embora a situação não implique em risco iminente à segurança de voo.

Ao declarar 'mayday' o piloto quer dizer que sua aeronave precisa de auxílio imediato, sob o risco de prejuízo grave às pessoas a bordo.

No caso do voo da Azul, as primeiras informações indicaram um problema de pressurização. O avião estava a 36 mil pés de altitude (11 km) quando o piloto comunicou a descida rápida para o nível uno zero zero.

O piloto quis dizer que estava descendo imediatamente para 10 mil pés de altitude (3 km) e que não aguardaria eventual autorização do Controle de Tráfego Aéreo (ATC) para mudar o nível de voo. Em situações normais, aviões só podem alterar sua altitude mediante expressa autorização do controlador de voo.

Despressurização

A despressurização em um avião refere-se à perda do nível controlado de pressão do ar dentro da cabine. Normalmente, as aeronaves são pressurizadas para simular a pressão atmosférica ao nível do mar, assegurando o conforto e a segurança dos passageiros enquanto voam em altitudes elevadas, onde a pressão do ar e os níveis de oxigênio são significativamente menores.

A despressurização pode ser lenta ou rápida (explosiva) e ocorre quando há uma falha no sistema de pressurização ou um dano estrutural na aeronave. No caso do voo da Alaska Airlines, em que uma seção da aeronave estourou e abriu um buraco na fuselagem, na primeira semana de janeiro de 2024, houve uma despressurização explosiva. No voo da Azul, uma das possibilidades está em uma possível despressurização externa, com relatos de um "barulho ensurdecedor" por problemas de vedação na porta.

A despressurização, explica o AirHelp, pode levar a uma queda na pressão do ar dentro da cabine, resultando em condições potencialmente perigosas, como hipóxia (deficiência de oxigênio) para os passageiros e tripulação. Por isso, é muito importante saber o que é despressurização e que tanto a tripulação quanto os passageiros estejam preparados para lidar com tal situação.

Em 10 de janeiro último, um avião que transportava a seleção nacional de futebol da Gâmbia fez um pouso de emergência após uma súbita perda de oxigênio durante o voo para competir no torneio da Taça das Nações Africanas. Vários atletas perderam a consciência durante voo, que perdeu a pressurização.

Nos aviões comerciais, dispositivos conhecidos como 'bleed' e 'válvula de outflow' controlam a entrada e a saída de ar da cabine da aeronave, proporcionando a renovação do ar interno. Esta equação é fundamental para manter a pressurização da cabine. Sem ela, todas as pessoas a bordo podem perder a consciência, dependendo da altitude da aeronave. 

Por que o piloto da Azul declarou 'mayday'?

Até 10 mil pés de altitude não há risco de perda de consciência. Como estava a cerca de 36 mil pés, o piloto da Azul declarou 'mayday' e iniciou imediatamente a descida rápida para o 'nível uno zero zero'. Na comunicação com a cabine de passageiros, o piloto utilizou o termo 'descida rápida', em detrimento da palavra 'emergência'. O objetivo seria não levar mais pânico aos passageiros. 

Pelo áudio da comunicação com o Controle de Tráfego é possível perceber que o piloto estava utilizando a máscara de oxigênio. Isto se faz necessário porque, em caso de perda de pressurização em altitudes elevadas, o ser humano perde a consciência em menos de 20 segundos.

Existe, inclusive, uma norma nas companhias aéreas que obrigam o piloto que esteja no controle da aeronave, utilize a máscara de oxigênio quando o outro colega deixa o cockpit para, por exemplo, ir ao banheiro. Em caso de uma eventual despressurização rápida, o piloto remanescente no cockpit estará apto a manter o controle do avião. Trata-se de uma ação preventiva.

A declaração de 'mayday' é uma norma na Azul e em outras companhias em situações que envolvam perda de pressurização, perda de motor ou falha hidráulica. 

Em nota sobre o incidente no Nordeste, a Azul se pronunciou:

“A companhia ressalta que os clientes estão recebendo toda assistência necessária, conforme prevê a resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), e serão reacomodados em outros voos. A Azul lamenta eventuais transtornos causados e reforça que ações como essa são necessárias para garantir a segurança de suas operações”

Por que aéreas pedem que primeiro você coloque a máscara de oxigênio?

“Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio poderão cair á sua frente. Coloque a máscara primeiro em você”.

As instruções das companhias aéreas deixam claro que os passageiros adultos - em caso de despressurização - devem colocar logo a máscara antes de auxiliar crianças ao lado. Afinal, o tempo de manutenção das funções cognitivas em longas altitudes é curto, como vimos acima. Portanto, é melhor que, antes de mais nada, os adultos se assegurem que estejam conscientes para lidar com eventual ajuda aos menores.

Siga as instruções 

Companhias aéreas treinam exaustivamente seus tripulantes para lidarem com segurança em situações de emergência. Para isso, é imprescindível que os passageiros cumpram à risca todas as instruções fornecidas pela tripulação. 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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