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Luiz Fara Monteiro

Primeira-dama tem medo de pousar em Congonhas, diz ministro da Infraestrutura

Michelle Bolsonaro teria expressado temor a Tarcísio Gomes de Freitas pouco antes de pousar em São Paulo. Ministro explicou sobre elevado padrão de segurança do terminal

Luiz Fara Monteiro|Do R7

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Primeira-dama Michelle Bolsonaro: medo de pousar em Congonhas
Primeira-dama Michelle Bolsonaro: medo de pousar em Congonhas R7 Brasil

A primeira-dama Michelle Bolsonaro tem medo de pousar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

A revelação foi feita pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, durante um congresso da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), que reuniu especialistas em aviação na capital paulista.


"Dia desses eu estava no avião com o presidente [Jair Bolsonaro] e a primeira-dama [Michele Bolsonaro] chegando aqui em São Paulo quando a primeira-dama me disse que morria de medo de pousar em Congonhas."

Tarcísio aproveitou a deixa para acalmar Michelle Bolsonaro e citar os feitos gerenciados por sua pasta na frente do presidente.


"Agora a senhora não precisa ter mais medo, pode pousar tranquila", respondeu à primeira-dama.

Durante o congresso sobre 'Gerenciamento de Crise e Assistência aos Familiares de Vítimas em Eventos Traumáticos", o ministro fez uma comparação indireta ao período que ficou conhecido como "apagão aéreo", em que o transporte aéreo sofreu uma série de colapsos. Movidos por uma situação econômica favorável, muitos passageiros passaram a viajar de avião, mas enfrentavam dificuldades nos aeroportos brasileiros.


Acidentes fatais foram registrados na época, como o voo 1907 da Gol sobre a Amazônia, em 29 de setembro de 2006, e o 3054 da TAM, em 17 de julho de 2007, em Congonhas. Nesse último, o Airbus procedente de Porto Alegre não conseguiu parar na pista, atravessou a avenida Washington Luís e colidiu com o prédio da TAM Express e com um posto de gasolina. À época, se comentava uma alegada falta de ranhuras no asfalto para escorrer a água da chuva na pista de Congonhas. No acidente, 199 pessoas morreram.

"Agora temos uma pista segura, não há aquaplanagem", teria dito Tarcísio Gomes de Freitas à primeira-dama e ao presidente da República durante o voo a bordo do A319 presidencial. O ministro não detalhou a data do voo com o casal presidencial.


Ministro Tarcísio Gomes de Freitas: obras em Congonhas
Ministro Tarcísio Gomes de Freitas: obras em Congonhas ABRAPAVAA

Ex-piloto e apresentadora do canal Ju Helps, no YouTube, Juliana Steck tranquiliza eventuais passageiros que, assim como a primeira-dama, tenham receio em pousar em Congonhas:

"Considerar a operação em Congonhas diferente da de outros aeroportos é um erro conceitual, obviamente surgido de um preconceito devido a um fato isolado ocorrido em 2007."

"Fisicamente a pista dispõe de um espaço maior do que o necessário para a operação, o que a faz segura. Sem contar que ela tem aproximação de precisão nas duas cabeceiras, o que faz com que a aproximação seja segura e eficiente", explica o Comandante Fernando Pamplona, que já operou em Congonhas inúmeras vezes.

No discurso de abertura do evento, ocorrido na terça-feira (15), Tarcísio enumerou obras realizadas em terminais administrados pela Infraero, lembrou que Congonhas estará na próxima rodada de concessão, prevista ainda para o primeiro semestre de 2022 e destacou a construção em Congonhas do "Emas" (Engineered Material Arresting System), sistema emergencial que desacelera aviões em pistas pequenas, em caso de emergência. A obra foi orçada em R$ 122,5 milhões, com uma tecnologia composta por blocos que se deformam caso o avião ultrapasse a área permitida, desacelerando a aeronave.

"Mal comparando, é como se fosse uma caixa de brita no final da pista", exemplificou Tarcísio Gomes de Freitas.

No evento, o ministro não comentou sobre as infiltrações da chuva que alagaram o terminal de Congonhas nos últimos dias, causando contratempo na rotina de passageiros e funcionários. 

Juliana Steck reforça a segurança e viabilidade do terminal: "Um aeroporto de operação regular, não deve, não é, e nem poderia significar um desafio aos aviadores, uma vez que isso seria inaceitável em termos de segurança. Todo o pouso e todos os cálculos utilizados para cada aeroporto têm em vista as condições específicas de cada operação e ainda contemplam uma boa margem de segurança que permite até mesmo o erro dos pilotos. Além do mais, por ser tão utilizado, a grande maioria dos pilotos já pousou inúmeras vezes em Congonhas, sendo assim um aeroporto familiar a todos. Congonhas é seguro, necessário e acima de tudo faz parte da história de nossa aviação".

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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