Luiz Fara Monteiro Relatório de segurança traz nova preocupação com o Boeing 737MAX

Relatório de segurança traz nova preocupação com o Boeing 737MAX

Documento do Sistema de Informe para Segurança na Aviação relata que avião teria desativado o piloto automático e feito um movimento brusco. Boeing diz que questão é pontual e monitora a frota

Boeing 737 MAX

Boeing 737 MAX

Steve Lynes - Wikimedia Commons

Um boletim de alerta emitido pela diretora do Centro de Pesquisa da NASA (NASA Ames Research Center), Becky L. Hooey,  para a Boeing, na última quarta-feira (08), alerta a Boeing sobre uma ocorrência preocupante registrada em voo a bordo de um 737MAX-8.

O relatório não especifica a qual companhia pertence o modelo.

De acordo com o documento, chamado oficialmente de "Sistema de Informe para Segurança na Aviação" (Aviation Safety Reporting System), o avião teria desativado o piloto automático e feito um movimento brusco para o lado direito.

O documento é endereçado à Boeing Commercial Airplane Company por Becky L. Hooey, do NASA Ames Research Center.

O comunicado deixa claro que a ocorrência - relatada por um comandante de um Boeing 737MAX-8 - ainda precisa de maior avaliação. E cita uma possível "gravidade" na ocorrência.

"Recentemente, recebemos relatórios ASRS descrevendo uma preocupação de segurança que pode envolver sua área de responsabilidade operacional. Não temos detalhes suficientes para avaliar a precisão factual ou a possível gravidade do relatório. É nossa política transmitir as informações relatadas à autoridade apropriada para avaliação e qualquer acompanhamento necessário. Achamos que os senhores devem estar ciente do seguinte: o ASRS recebeu um relatório de um comandante de um Boeing 737 MAX 8 descrevendo uma anomalia de controle de voo na descida. O relatório afirmou que a aeronave estava voando com o piloto automático acionado, descendo pelo [nível de voo] FL240 [24 mil pés], quando a aeronave virou violentamente para a direita. O controle foi restabelecido após a desconexão do piloto automático. O relatório afirmou que essa anomalia havia sido registrada no livro de registro da aeronave várias vezes nos dias anteriores".

Um comandante ouvido pelo Blog sob a condição de anonimato comentou o relatório:

"Me parece que foi um problema de Piloto Automático desse avião específico. O que ele relata de Spoilers, que são usados em voo para a rolagem do avião, parece ser uma pane em função da outra. Pode haver panes assim e não serem relacionadas com a frota, nas de qualquer forma o boletim é um aviso para que seja observado com mais cuidado, caso haja essa pane em outros [aviões] do mesmo modelo".

Boletim: ocorrência com o Boeing 737 MAX

Boletim: ocorrência com o Boeing 737 MAX

Reprodução

O Blog procurou a Boeing, que respondeu:

"Estamos monitorando a frota de perto e trabalhamos questões pontuais diretamente com o operador afetado. Não se trata de uma questão repetitiva ou sistêmica e, com base nas informações que analisamos, ela não representa uma preocupação de segurança para a frota."

O Boeing 737MAX-8 foi proibido de voar depois da queda de dois modelos em um intervalo de 5 meses, em outubro de 2018 e em março de 2019. Todos os ocupantes morreram.

O Lion Air 610 (JT610) foi um voo doméstico regular de passageiros operado pela companhia aérea da Indonésia Lion Air do Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta em Jacarta para o Aeroporto Depati Amir em Pangkal Pinang. Em 29 de outubro de 2018, a aeronave que operava o voo, um Boeing 737 MAX 8, caiu 13 minutos após a decolagem.[3][4] Os destroços da aeronave foram encontrados no mar de Java, na costa de Java.

Já em 10 de março de 2019 foi a vez do voo ET-302, que decolou de Addis Ababa e caiu 6 minutos depois, vitimando 157 pessoas entre tripulantes e passageiros. A aeronave partiu do Aeroporto Internacional Bole, em Adis Abeba, com destino ao Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi.

Após o segundo acidente, a China decidiu por proibir que o modelo operasse em seu território. Agências regulatórias ao redor do mundo seguiram a iniciativa e suspenderam a operação do modelo até segunda ordem.

O FAA (Federal Aviation Administration), a autoridade de aviação civil dos Estados Unidos, revogou em novembro de 2020 a decisão que suspendia as operações comerciais dos Boeings 737-8 e 737-9, após 20 meses de proibição. Nenhum acidente envolvendo o modelo foi registrado desde então.

Em 18 de fevereiro último, a Netflix lançou o documentário "Queda Livre: A Tragédia do Caso Boeing", em que os investigadores revelam como a Boeing pode ter sido responsável pelos dois acidentes catastróficos seguidos, ao supostamente priorizar o lucro em detrimento da segurança.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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