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Luiz Fara Monteiro

Tarifas americanas podem disparar custo de aviões e enfraquecer demanda por viagens, aponta relatório

Aéreas registraram queda média de -10% na receita do primeiro trimestre

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Aéreas americanas registraram queda média de -10% na receita do primeiro trimestre de 2025 Lucas Batista

Na última semana, o time de economistas da Allianz Research, divisão de pesquisa da Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, publicou o relatório The cost of a weaker dollar, tariff turbulence ahead for the travel industry and chip war reloaded, que analisou o impacto das tarifas aplicadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na economia e também no setor aéreo.

Segundo os autores, o setor enfrenta um período turbulento, provocado pelas tarifas impostas pela nova administração americana, o que pode inflacionar os custos das aeronaves (agravando os desafios já existentes na produção) e possivelmente enfraquecer o turismo receptivo nos EUA.


A atual guerra comercial interrompeu a recuperação financeira que as companhias aéreas desfrutaram em 2023 e 2024 (quando as receitas saltaram +23% e +7% ao ano, respectivamente, e os lucros voltaram ao positivo).

Entre todos os ventos contrários atuais, o mais preocupante é a capacidade limitada. O estudo aponta que, embora a capacidade do setor tenha crescido cerca de +21% ao ano em 2022 e 2023, em 2024 o ATK¹ global aumentou apenas +8% e deve permanecer limitado a cerca de +5% este ano.


¹ATK, ou toneladas-quilômetro disponíveis, é uma medida de capacidade que combina tanto a capacidade de passageiros quanto de carga. É calculada multiplicando-se a capacidade de transporte de passageiros e carga (convertida em toneladas) pela distância percorrida.

Níveis de produção e interrupções nas cadeias de suprimentos


Outro fator analisado no relatório é a dificuldade dos fabricantes de aeronaves e componentes-chave para retornar aos níveis de produção pré-pandemia, dificultando as entregas. Os autores acreditam que a atual guerra comercial deve agravar as interrupções nas cadeias de suprimentos globais, bem como problemas específicos nos fabricantes, tornando os aviões mais caros. As aeronaves ficaram +16% mais caras nos últimos cinco anos e os preços devem continuar subindo cerca de +20% até 2030, preveem.

A rota do turismo nos EUA também está mudando e deve pesar sobre as companhias aéreas mais expostas a esse mercado. Os EUA ocupam o terceiro lugar no turismo internacional global, atrás da França e da Espanha. No ano passado, o país recebeu mais de 72 milhões de visitantes internacionais (+9% ao ano). Esse aumento contribuiu para um recorde de USD 215 bilhões (+14% ao ano) em receitas com turismo, tornando este setor (e todos os subsegmentos ligados ao lazer) importante para a economia dos EUA. Portanto, os economistas avaliam que os temores inflacionários e as incertezas relacionadas ao desgaste nas relações diplomáticas com países vizinhos podem prejudicar o turismo. Canadá e México representam 52% (37 milhões) dos turistas que visitam os EUA anualmente, e segundo o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, o número de visitantes cruzando as fronteiras norte e sul já caiu -6% em fevereiro e -8% em março (variação anual).


Queda na demanda por viagens

Os resultados preliminares analisados pelos economistas da Allianz Trade no primeiro trimestre de 2025 destacam a queda na demanda por viagens aos EUA, com as companhias aéreas norte-americanas caminhando para o menor crescimento de receita em 2025. As taxas de ocupação das companhias que operam dentro dos EUA e para o país estão atualmente em torno de 78%, enquanto antes dos anúncios tarifários de Trump estavam em torno de 84%.

Para as grandes companhias aéreas americanas, isso representou uma queda média de receita de -10% no primeiro trimestre (comparação trimestral). As companhias aéreas norte-americanas devem apresentar o menor crescimento de receita entre seus pares globais em 2025, com aumento de apenas +1% ao ano. Em comparação, as companhias europeias devem registrar um crescimento médio de +10%, enquanto as chinesas devem crescer +3%. Além disso, os economistas lembram que os preços do querosene são um fator crucial nos lucros das companhias aéreas, já que o combustível representa seu maior custo operacional (29% do total), de modo que o combustível mais barato é um fator positivo que compensa a queda nas receitas.Para acessar o relatório completo em inglês, clique aqui.

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