Tarifas anunciadas por Trump devem beneficiar a Embraer, dizem especialistas
Analistas destacam que mudanças nas tarifas comerciais podem impulsionar a indústria aeroespacial brasileira
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A declaração do vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, de que o país seria beneficiado com as mudanças nas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforça - especialmente para a Embraer - o que especialistas internacionais ouvidos pela Reuters declararam à agência de notícias.
A fabricante brasileira de aviões entra em uma lista, junto a companhias aéreas americanas e o setor aeroespacial comercial em geral, como beneficiária da revisão do regime tarifário imposto pela Casa Branca.
No entanto, advogados da área da aviação e executivos do setor pediram cautela, alertando que a mudança constante nas políticas em Washington ainda gera incertezas.
Aeronaves comerciais, motores e peças aeroespaciais ficarão isentos da tarifa de importação global temporária de 10%, introduzida pela Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, de acordo com um anexo da ordem executiva de Trump, que autoriza a tarifa.
A taxa, que ele afirmou posteriormente que subiria para 15%, foi anunciada para substituir as tarifas anuladas na sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos EUA.

A isenção global para o setor aeroespacial é mais abrangente do que as já generosas isenções tarifárias concedidas aos maiores exportadores industriais para os EUA em acordos comerciais anteriores, incluindo a União Europeia, o Reino Unido, o Japão, o Canadá e o México, informa a Reuters.
Em julho passado, Trump impôs uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros para combater o que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas poupou as aeronaves das penalidades mais severas. Mesmo assim, os importadores americanos de jatos executivos e regionais da Embraer enfrentaram uma tarifa de 10%.
A isenção para aeronaves nas últimas tarifas de Trump dá um impulso à Embraer, atenuando uma desvantagem que enfrentava em relação aos jatos particulares da canadense Bombardier e à Dassault da França, que vinha entrando nos EUA sem pagar impostos.
“Na verdade, é muito animador e uma ótima notícia para o nosso setor”, disse Katie DeLuca, advogada de aviação privada do escritório Harper Meyer, na Flórida, em um webinar organizado pela National Business Aviation Association.
O anúncio surge no momento em que a fabricante brasileira de aviões anunciou esta semana uma nova variante de seus jatos executivos Praetor. A novidade marca a primeira evolução da família Praetor, lançada em 2018.
A Embraer, que se recusou a comentar, havia anteriormente classificado a tarifa de 10% como “administrável”, mas prejudicial.
Dave Hernandez, especialista em aviação executiva nos EUA e advogado do escritório Vedder, considerou as novas tarifas uma vitória particular para a Embraer, mas alertou que o governo Trump estava conduzindo investigações separadas sobre as práticas comerciais do Brasil e o setor aeroespacial comercial. A aviação também continua a enfrentar custos mais altos devido às tarifas americanas sobre materiais usados na fabricação de peças de aeronaves.
“É ótimo que aeronaves, motores e peças estejam isentos das tarifas da Seção 122, mas ainda existe uma preocupação real de que as tarifas sobre aço e alumínio estejam aumentando os custos finais das aeronaves, motores e peças”, disse Hernandez.
A mudança está criando uma oportunidade para que aeronaves anteriormente sujeitas a tarifas, como certos jatos executivos usados, sejam importadas sem impostos para o maior mercado mundial de aviação privada, disseram especialistas.
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