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Luiz Fara Monteiro

Transporte aéreo ultraexpresso de cargas ganha força no Brasil diante da imprevisibilidade global

Com fretes em alta e gargalos globais, empresas brasileiras recorrem à logística ultraexpressa para manter a competitividade, analisa CCO da Prestex, Marcelo Zeferino

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Custos operacionais seguem elevados, exigindo cada vez mais eficiência e planejamento estratégico Divulgação Prestex

Em janeiro a FedEx anunciou o encerramento de suas operações de transporte doméstico no Brasil, após mais de três décadas de atuação no país. A decisão reflete um cenário cada vez mais desafiador para o setor: gargalos globais, taxações severas, conflitos geopolíticos e, internamente, deficiência da infraestrutura rodoviária, roubo de cargas constantes, burocracia excessiva e altos custos operacionais.

No transporte aéreo de carga, essencial para o modelo ultraexpresso, os custos operacionais seguem elevados, exigindo cada vez mais eficiência e planejamento estratégico. Apesar da alta demanda pelo aéreo, que cresceu 5,5% no acumulado até novembro de 2025 com projeção positiva de 2,6% para 2026, segundo a IATA, as margens de lucro das companhias aéreas ainda são pequenas, abaixo dos 4%.


Nesse contexto, ganha força o conceito de antifragilidade, introduzido pelo autor Nassim Nicholas Taleb, que descreve sistemas capazes de se fortalecer diante do caos. Para o especialista em logística, Marcelo Zeferino, chief commercial officer (CCO) da Prestex, a logística ultraexpressa representa, na prática, essa filosofia. “Não basta resistir às crises do setor. Ganha competitividade quem é capaz de rapidamente crescer diante de tantas adversidades e imprevistos”, analisa.

A redução constante do lead time (tempo total do início do pedido à entrega final do produto) já não é apenas uma exigência do consumidor final (B2C), mas também das empresas que atuam no B2B. Essa pressão por prazos cada vez menores, segundo o especialista, é um dos fatores que colocam à prova e fortalecem a antifragilidade das operadoras de logística. “Se uma compra pessoal chega em poucas horas ou dias, porque no B2B isso leva semanas ou até meses? É uma mudança cultural: deixar de ver o transporte urgente, ultraexpresso como exceção e passar a tratá-lo como parte da estratégia”, diz. Entretanto, Zeferino pontua que de forma geral ainda há reticência por parte das indústrias em adotar isso como rotina.


O estudo da LogComex sobre lead time e monitoramento de supply chain no Brasil (2025) destaca reduções de até 20% nos prazos médios em operações de empresas brasileiras que incorporaram logística expressa/ultraexpressa e sistemas de rastreabilidade e visibilidade digital.

O CCO da Prestex destaca que o ganho não é apenas financeiro, mas também reputacional e estratégico. De acordo com o especialista, na indústria automotiva, por exemplo, há cases no qual foi possível reduzir paradas de linha de produção que custariam milhões por hora. Na área de saúde, além do impacto direto na vida das pessoas, garantindo a entrega de suprimentos críticos, uma empresa de Healthcare reduziu de 36 para 7 dias o lead time, e em 26% os custos operacionais com transporte. “É a antifragilidade aplicada à logística”, sustenta Zeferino.


Para o especialista, é uma mudança cultural. Empresas que incorporam a logística ultraexpressa aérea como rotina, podem manter fluxos produtivos mesmo diante de crises e transformar imprevistos em vantagem competitiva, porque já possuem protocolos e parceiros preparados para agir em minutos e não em dias.

“Hoje, até setores como agro, alimentos, papel e celulose já adotam o transporte ultraexpresso de cargas em situações específicas. A busca por maior eficiência operacional tem levado empresas a reavaliar o modelo de estoques elevados, considerando alternativas logísticas mais ágeis. Essa mudança influencia diretamente a lógica de produção e os parâmetros de competitividade”, explica Zeferino.


O especialista lembra ainda que o espaço físico em galpões logísticos virou um ativo raro e caro, principalmente em grandes metrópoles com alta demanda e pouca oferta. A logística ultraexpressa permite que empresas mantenham estoques enxutos e se adaptem ao consumo dinâmico. “Não adianta ter galpões enormes se você não tem adaptabilidade. Um artigo recente do World Economic Forum, sobre cadeias de suprimentos e o modelo just in time, pontua que a volatilidade deixou de ser cíclica e passou a ser permanente. Basta um simples movimento econômico de consumo, e um produto com toda sua concepção já não serve mais, é descartável. Quem não se adaptar rapidamente, pode enfrentar sérias dificuldades”.

Para Marcelo Zeferino, nos próximos dois anos, haverá maior integração tecnológica prevendo gargalos antes que aconteçam, além de parcerias globais que ampliarão a capilaridade das operações. Essa transformação virá acompanhada de uma mudança cultural, com a logística ultraexpressa tornando-se parte da rotina corporativa. “Diante do cenário econômico atual, marcado pela imprevisibilidade, as decisões precisam ser rápidas e as mudanças, mais rápidas ainda. As empresas que entenderem isso primeiro, terão condições de liderar o mercado”, afirma.

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