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Luiz Fara Monteiro

Trump intensifica guerra comercial com o Canadá e ameaça com tarifas e descertificação de aeronaves fabricadas no país vizinho

Americano diz que o Canadá se recusa ‘injustamente’ a certificar modelos de jatos Gulfstream, fabricados nos EUA

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Bombardier Global 8000: descertificação nos EUA? Chad Slattery / Bombardier

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz uma nova ameaça tarifária, tendo como alvo da vez, a fabricante canadense de jatos Bombardier. Trump poderá impor tarifas elevadas sobre aeronaves fabricadas no país vizinho, intensificando uma disputa sobre certificação aeronáutica que, segundo ele, tem bloqueado injustamente as vendas de jatos americanos no Canadá.

O líder americano fez a ameaça em uma postagem nas redes sociais nesta quinta-feira, acusando o Canadá de se recusar “injustamente” a certificar vários modelos de jatos Gulfstream fabricados nos EUA e chamando o processo de “barreira às vendas de aeronaves americanas ao norte da fronteira”.


Trump afirmou que seu governo responderia descredenciando aeronaves de fabricação canadense nos EUA, incluindo jatos produzidos pela Bombardier, a menos que o Canadá aprovasse os modelos da Gulfstream.

Gulfstream G800, fabricado nos EUA: recusa canadense na certificação, acusa Trump Divulgação Gulfstream

O Republicano também alertou que, se o problema não for “corrigido imediatamente”, os EUA imporão uma tarifa de 50% sobre qualquer aeronave vendida do Canadá para o mercado americano, uma medida que poderá ter grandes implicações para o setor aeroespacial em ambos os lados da fronteira.


A Bombardier divulgou um comunicado na noite de quinta-feira, reconhecendo que viu a publicação de Trump e está em contato com o governo federal.

“Nossas aeronaves, instalações e técnicos são totalmente certificados de acordo com os padrões da FAA e reconhecidos mundialmente”, afirmou a empresa, mencionando que está investindo na expansão de suas operações nos EUA.


“Esperamos que isso seja resolvido rapidamente para evitar um impacto significativo no tráfego aéreo e nos passageiros”, acrescentou a Bombardier.

A Bombardier e a Gulfstream são rivais de longa data no mercado global de jatos executivos, competindo diretamente na categoria de cabine grande e longo alcance, preferida por clientes corporativos e governamentais – os mesmos modelos citados na postagem de Trump nas redes sociais.


Entre eles estão o Gulfstream G500 e o G600, que entraram em serviço anteriormente e são amplamente utilizados por operadores corporativos e governamentais, bem como os mais recentes G700 e G800, os jatos de longo alcance emblemáticos da empresa.

A Bombardier, com sede em Montreal, fabrica a série Global de jatos executivos e é uma das maiores empregadoras do setor aeroespacial do Canadá.

As aeronaves Gulfstream competem diretamente com os jatos da Bombardier, incluindo o Global 6500, o Global 7500 e o Global 8000, que dominam a mesma categoria de longo alcance e já possuem certificação para operação tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos.

A certificação determina se uma aeronave pode ser vendida, registrada e operar em um país. Qualquer atraso ou recusa pode colocar os fabricantes em desvantagem competitiva.

Especialista diz que Trump não tem autoridade para cassar a certificação de aeronaves

Phyl Durdey, especialista em aviação da CTV News, rebateu as ameaças dos EUA de atacar o setor de aviação canadense, afirmando que Trump não tem autoridade para descertificar aeronaves canadenses “arbitrariamente”.

Em entrevista ao CTV News Channel na quinta-feira, Durdey afirmou que a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) certifica ou descredencia todas as aeronaves nos Estados Unidos.

Ele também observou que os EUA têm “muitas aeronaves operacionais fornecidas pelo Canadá”, com milhares de jatos fabricados no Canadá voando também ao sul da fronteira.

As próprias forças armadas dos EUA dependem de aeronaves Bombardier, utilizando uma frota de jatos Global Express modificados, conhecidos como aeronaves BACN ou Air Force E-11A.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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