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Luiz Fara Monteiro

Avião desce abaixo da altitude mínima e fica a poucos metros de colisão antes do pouso

Autoridades aeronáuticas consideram o incidente como um dos mais graves registrados na República Checa nas últimas décadas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Voo da TAP TP1240 quase colide com o solo durante aproximação ao aeroporto de Praga.
  • Incidente ocorreu com a aeronave a apenas 300 metros do terreno, abaixo da altitude mínima de segurança.
  • Controladores de tráfego aéreo emitiram alerta e os pilotos reagiram a tempo, estabilizando o voo antes do pouso.
  • Investigação está em andamento para identificar as causas do erro, possivelmente relacionadas ao uso incorreto do piloto automático.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

a320NEO DA tap: abaixo da altitude de segurança Alan Wilson via Wikimedia Commons

Autoridades de aviação investigam um incidente considerado gravíssimo, que poderia resultar em uma tragédia, quando um voo internacional da companhia aérea portuguesa TAP esteve a poucos segundos de descer abaixo dos limites estabelecidos de segurança durante a aproximação para pouso no aeroporto de Praga, na República Checa, em 17 de janeiro.

O voo TP1240, procedente de Lisboa, estava estabilizado a 1.220 metros de altitude (4.000 pés) e próximo de iniciar a descida final para o Aeroporto Václav Havel, quando interceptaria o sistema de pouso por instrumentos (ILS) da pista seis.


O Airbus A320neo, matrícula CS-TVG, no entanto, operou uma descida acentuada e, sob condições de nevoeiro denso e baixa visibilidade, esteve a apenas 300 metros do nível do terreno, bem abaixo dos 1.300 metros, valor mínimo de segurança definido para aquela fase da aproximação.

Ao detectarem a descida indevida, os controladores de tráfego aéreo emitiram alerta à tripulação.


Na cabine de comando soou o alarme do Sistema de Alerta e Consciência de Terreno (TAWS, do inglês Terrain Awareness and Warning Systems) sobre a proximidade da aeronave com o solo. Só então os pilotos perceberam a situação e iniciaram uma subida.

Após estabilizar a aeronave, a tripulação efetuou uma nova aproximação, desta vez dentro dos parâmetros estabelecidos, e pousaram em segurança cerca de 11 minutos depois.


Entre as possíveis causas do incidente, especialistas citados pelos meios de imprensa locais mencionam o uso incorreto do piloto automático.

De acordo com a Radio Prague International, o incidente foi registado como um caso de CFIT (‘Controlled Flight Into Terrain’), em que a aeronave se aproxima do solo sem que a tripulação esteja ciente do perigo, normalmente devido a erros na configuração dos sistemas de voo.


O Instituto de Investigação de Acidentes Aéreos, da República Checa, criou uma comissão para determinar se o desvio resultou de fatores operacionais, humanos ou técnicos.

Tecnologia TAWS

Nos primórdios da aviação comercial, uma das três principais categorias de acidentes graves envolvia aeronaves que colidiam involuntariamente com o solo.

Essas aeronaves estavam em perfeito funcionamento e sob o controle de uma tripulação totalmente certificada e qualificada.

Foram buscadas soluções para ajudar a erradicar esse tipo de acidente, conhecido como Colisão Controlada com o Solo (CFIT, na sigla em inglês).

Um avanço significativo ocorreu na década de 1970, quando Don Bateman, da Honeywell, desenvolveu o Sistema de Alerta de Proximidade do Solo (GPS, na sigla em inglês) — um dispositivo de cabine que alertava automaticamente os pilotos caso suas aeronaves estivessem se aproximando perigosamente do solo ou da água.

“Esse sistema utilizava sensores que forneciam dados como a velocidade de descida vertical, a altura e a altitude da aeronave para calcular o risco potencial de CFIT e alertar o piloto por meio de sinais sonoros e visuais em tempo real, operando em modo reativo”, afirma David Carlu, chefe do TAWS na Airbus.

É a versão aprimorada desse sistema, chamada TAWS, que está em uso atualmente. “Os avanços tecnológicos tornam o TAWS moderno preditivo — em vez de apenas reativo — combinando dados em tempo real da aeronave com informações de posicionamento por satélite, além de um extenso banco de dados de terreno e obstáculos artificiais”, afirma ele.

Este sistema tornou-se obrigatório pelas autoridades de aviação mundial na década de 1990 e a tecnologia fez uma grande diferença na segurança de voo.

Sua introdução, juntamente com outras tecnologias (incluindo “cockpits de vidro” com displays eletrônicos digitais de instrumentos de voo, sistemas de gerenciamento de voo mais avançados, além de melhorias na navegação e no controle de tráfego aéreo), procedimentos adequados e treinamento, ajudaram a reduzir a taxa de acidentes fatais por CFIT em 86%.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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