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A revolução da blockchain no agronegócio

O banco de dados digital utiliza criptografia avançada para proteger as transações, garantindo dados seguros sem possibilidade de alteração

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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A tokenização aumenta a confiabilidade dos negócios do agro Freepik (Imagem em domínio público)

A tecnologia blockchain é uma inovação que possibilita registrar, compartilhar e negociar informações de forma segura. Uma das suas aplicações no agronegócio é a tokenização, que funciona como uma forma de moeda digital para realizar trocas. Nesse processo, os produtores utilizam tokens, que são lastreados em commodities como grãos e insumos, para fazer negociações diretamente. Isso facilita os pagamentos e ajuda a reduzir custos operacionais. Essa abordagem já está sendo testada em algumas cooperativas de Mato Grosso e Paraná.

Embora tenha grande potencial, a adoção do blockchain no agronegócio ainda enfrenta alguns desafios.


O Mundo Agro conversou com Pedro Xavier, CEO da Mannah, uma empresa que utiliza tokes para simplicar transações de qualquer mercado.

Pedro Xavier , CEO da Mannah Foto cedida : Mannah

Mundo Agro: O que é blockchain?


Pedro Xavier: A Blockchain é como um grande livro digital onde todas as transações são registradas de forma segura e visível para todos. Em vez de ficar em um único local, ele é copiado e atualizado em vários computadores ao redor do mundo, impedindo alterações ou fraudes. Cada nova informação é adicionada em sequência, garantindo rastreabilidade e transparência. Já a tokenização usa a blockchain para transformar ativos reais, como uma safra de algodão, em tokens digitais. Isso permite sua negociação fracionada, aumentando liquidez, segurança e eficiência no mercado.

Mundo Agro: Como essa tecnologia ajuda o agronegócio?


Pedro Xavier: A blockchain está transformando o agronegócio, tornando a comercialização mais ágil, segura e rentável. Com a tokenização, produtores acessam financiamento direto, sem burocracia e intermediários, enquanto toda a documentação e certificados de origem, é registrada de forma imutável, garantindo credibilidade e segurança.

Antes da Blockchain, o produtor precisava registrar contratos de financiamento e garantias em cartórios, um processo lento e caro. Para vender a safra antecipadamente, ele dependia de intermediários (bancos, tradings) e muitas vezes recebia um valor menor. E quem comprava, não tinha garantia total da qualidade e rastreabilidade do produto.


Com Blockchain e Tokenização, o produtor pode tokenizar sua produção e levantar recursos antecipados diretamente com investidores. Toda a documentação (como CPRs, certificados de origem) fica digitalizada e disponível de forma segura na blockchain. E, o comprador final, tem acesso a um histórico completo do produto, garantindo procedência e qualidade.

Mundo Agro: Qual o percentual de eficiência operacional?

Pedro Xavier: O agronegócio brasileiro já está incorporando a tecnologia blockchain em diferentes segmentos, trazendo mais transparência, eficiência e segurança para o setor. Na rastreabilidade de alimentos, grandes empresas como JBS e BRF utilizam blockchain para monitorar a origem e a qualidade da carne bovina e suína. A Lei do Agro modernizou o financiamento agrícola ao permitir CPRs 100% digitais, eliminando burocracia e acelerando o acesso ao crédito. Bancos que querem expandir no agro já começaram a adotar a blockchain. Outra aplicação crescente é a tokenização como moeda de troca no agro, onde produtores utilizam tokens lastreados em commodities, como grãos e insumos, para negociações diretas, facilitando o fluxo de pagamentos e reduzindo custos operacionais. Essa operação já está sendo aplicada em estágio inicial com cooperativas do Mato Grosso e Paraná. Com acesso instantâneo a informações detalhadas, a tecnologia traz transparência, proteção contra fraudes e maior confiança para investidores e compradores. O que antes era burocrático agora se torna ágil e eficiente, conectando o agro a um sistema financeiro mais moderno e acessível.

Mundo Agro: Quais as áreas do agro brasileiro que já utilizam essa tecnologia?

Pedro Xavier: A implementação da blockchain no agronegócio pode ser um processo custoso e demorado quando feita do zero, exigindo desenvolvimento de infraestrutura e integração com sistemas já existentes. No entanto, com a evolução do mercado, já existem soluções prontas que facilitam esse processo, permitindo que produtores e empresas adotem a tecnologia de forma rápida e sem complicações. Um exemplo dessa revolução pode ser visto na Austrália, onde mais de 1,6 milhão de toneladas de grãos já foram negociadas via blockchain, movimentando cerca de US$ 360 milhões em pagamentos a produtores. Essa tecnologia reduz custos operacionais, eliminando intermediários e burocracia. Seu impacto na eficiência é expressivo: 40% menos custos administrativos, transações 30% mais rápidas e rastreamento 70% mais eficiente. Além disso, garante previsibilidade para produtores, segurança nas transações e mais liquidez no mercado.

Mundo Agro: Qual o percentual de empresas do agro que já utilizam a ferramenta. É um setor promissor?

Pedro Xavier: A blockchain já está ganhando espaço no agronegócio global, com 23% das grandes empresas do setor adotando essa tecnologia, segundo um estudo recente. No Brasil, apesar de estar em fase inicial, a digitalização de ativos agrícolas está avançando rapidamente, impulsionada pelo apoio do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários. É um mercado muito promissor. A tokenização não é o futuro, é a realidade do agora. O mercado financeiro global está sendo transformado por essa tecnologia, e o agronegócio faz parte dessa revolução. Do pequeno ao grande produtor, quem não se adaptar perderá eficiência, competitividade e deixará dinheiro na mesa.

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