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Assistência remota revoluciona o campo

Com óculos inteligentes e realidade aumentada, plataforma conecta técnicos e fabricantes em tempo real, reduzindo paradas, custos e perdas durante plantio e colheita

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Octágora leva suporte técnico em tempo real ao campo e transforma o pós-venda agrícola Foto cedida: RealWear

A tecnologia de assistência remota está transformando a forma como o agronegócio lida com falhas e manutenções em máquinas agrícolas.

Com a plataforma desenvolvida pela Octágora, técnicos em campo podem se conectar instantaneamente a especialistas das fabricantes ou concessionárias, seja por óculos inteligentes RealWear ou pelo smartphone.


O resultado é um suporte visual em tempo real, que permite solucionar até 70% dos problemas sem deslocamento, reduzindo drasticamente o tempo de parada e garantindo que colheitadeiras e tratores continuem operando nas janelas críticas de plantio e colheita.

À frente dessa transformação está Daniel Cussi, cofundador e CTO da Octágora, que explicou ao Mundo Agro como a tecnologia de assistência remota vem aproximando o campo da indústria e inaugurando uma nova era de eficiência e colaboração no agronegócio.


Daniel Cussi, cofundador e CTO da Octágora Foto cedida: Octágora

Mundo Agro: Como funciona, na prática, a plataforma de assistência remota da Octágora aplicada às máquinas agrícolas?


Daniel Cussi: Na prática, o processo é simples, rápido e direto. Imagine que um técnico ou operador no campo enfrenta uma falha em uma colheitadeira ou um trator. Ele pode solicitar suporte de duas formas ágeis:

1. Usando os Óculos RealWear: Por comando de voz, o técnico faz a leitura de um QR Code, que pode estar fixado na própria máquina ou enviado para ele via WhatsApp. Ao escanear o código, ele é conectado instantaneamente a um especialista remoto no centro de suporte da fabricante ou concessionária.


2. Usando Smartphone: O especialista remoto envia um link por SMS ou WhatsApp diretamente para o celular do técnico. Ao clicar no link, o técnico concede acesso à câmera do seu aparelho e é conectado imediatamente ao especialista.

Uma vez estabelecida a conexão, o especialista enxerga em tempo real o que o técnico vê, através da câmera dos óculos ou do celular. A partir daí, ele utiliza ferramentas de realidade aumentada, sobrepondo à imagem do técnico desenhos de setas, círculos e anotações para guiar o reparo passo a passo, destacando componentes específicos e acessando manuais relevantes. Isso transforma o técnico no campo nos “olhos e mãos” do especialista, resolvendo problemas complexos com agilidade e precisão, sem a necessidade de deslocamento.

Mundo Agro: Quais são os diferenciais dos óculos inteligentes RealWear em relação ao uso de smartphones ou tablets nesse contexto?

Daniel Cussi: O principal diferencial dos óculos inteligentes RealWear são as mãos livres. Em um ambiente agrícola, o técnico frequentemente precisa subir na máquina, manusear ferramentas e componentes pesados ou sujos. Segurar um smartphone atrapalha esse trabalho. Com os óculos, que são operados por comando de voz, o técnico tem as duas mãos livres para agir enquanto o especialista remoto guia seu olhar. A câmera dos óculos mostra exatamente o que o técnico está vendo, criando uma colaboração muito mais natural, segura e eficiente, aumentando a produtividade e reduzindo o risco de erro.

Mundo Agro: Qual o nível de conectividade mínima necessário no campo para o funcionamento adequado do sistema?

Daniel Cussi: A plataforma da Octágora foi desenvolvida para ser robusta e funcional mesmo em condições de conectividade limitada. Uma conexão de banda larga móvel (4G/LTE) estável é suficiente para a maioria das operações. No entanto, o grande avanço recente, com a popularização de serviços de internet via satélite como a Starlink, praticamente elimina o problema da conectividade no campo. Esses serviços oferecem alta velocidade e baixa latência mesmo em áreas remotas, garantindo uma experiência de vídeo fluida e em tempo real, que é o ideal para a assistência remota. Hoje, podemos dizer que onde há sinal de celular ou uma solução de satélite, a Octágora funciona perfeitamente.

Mundo Agro: Em média, quanto tempo é economizado nos atendimentos com o uso da assistência remota?

Daniel Cussi: Os ganhos de tempo são dramáticos. Estima-se que mais de 70% dos problemas possam ser resolvidos remotamente na primeira chamada, eliminando completamente a necessidade de um deslocamento. Em situações onde uma visita técnica ainda é necessária, o suporte remoto prévio agiliza o diagnóstico, garantindo que o técnico leve as peças e ferramentas corretas. Na prática, isso converte dias de espera (pelo deslocamento) em minutos ou poucas horas de resolução. Em um setor onde o tempo é literalmente dinheiro, essa economia é um divisor de águas.

Mundo Agro: Como a solução contribui para reduzir as perdas durante as janelas críticas de plantio e colheita?

Daniel Cussi: Durante as janelas críticas, uma máquina parada significa perda de produtividade e de receita. A assistência remota atua como um “socorro imediato” para essas situações. Um problema que antes paralisava uma colheitadeira por um ou dois dias, aguardando um técnico, pode ser resolvido em questão de horas, ou até minutos. Isso maximiza a disponibilidade da frota, assegura que a colheita ou o plantio ocorram no momento agronômico ideal e protege o produtor de perdas financeiras significativas causadas por paradas prolongadas.

Mundo Agro: Como a assistência remota tem mudado o relacionamento entre fabricantes, concessionárias e produtores?

Daniel Cussi: A tecnologia transformou uma relação tradicionalmente reativa (um chamado, uma visita) em uma parceria proativa e contínua. Fabricantes e concessionárias agora oferecem um suporte ágil e de alto valor, fortalecendo a confiança e a lealdade do produtor.

Mundo Agro: O suporte técnico remoto pode se tornar um diferencial competitivo tão relevante quanto a própria qualidade da máquina?

Daniel Cussi: Absolutamente. No cenário atual, onde a qualidade dos maquinários de grandes marcas é frequentemente equiparada, o serviço pós-venda torna-se o grande fator de desempate. Um suporte remoto rápido e eficiente, que minimiza a parada do equipamento, é um benefício tangível que o produtor leva em conta na hora da compra. Oferecer essa tecnologia demonstra inovação, compromisso com o cliente e uma compreensão profunda das dores do setor. Portanto, a qualidade do suporte está intrinsecamente ligada ao valor percebido da máquina.

Mundo Agro: Como tem sido a aceitação da assistência remota por parte de técnicos e produtores?

Daniel Cussi: A aceitação é extremamente positiva após a adoção inicial. Os produtores veem o valor imediato na redução de custos e tempo de parada. Já os técnicos de campo, que inicialmente podem temer que a tecnologia os substitua, rapidamente percebem que ela é uma ferramenta de empoderamento. Ela os ajuda a resolver problemas mais complexos com o apoio de especialistas, reduz deslocamentos cansativos e permite que atendam um volume maior de clientes. A tecnologia não substitui o técnico, mas o torna mais eficiente e capacitado.

Mundo Agro: Quais os próximos passos para a tecnologia de assistência remota? Há planos de expandir para outros tipos de equipamentos?

Daniel Cussi: Uma das expansões mais estratégicas e com grande impacto social já está em curso no setor sucroenergético. A plataforma de assistência visual remota da Octágora está sendo adaptada para permitir que as empresas realizem monitoramentos virtuais regulares de seus fornecedores de cana. Diante de desafios complexos na cadeia de fornecimento, como aqueles recentemente destacados na mídia envolvendo condições de trabalho análogas à escravidão e metas de produção exaustivas, a tecnologia surge como uma ferramenta crucial de compliance e transparência.

Auditores ou representantes das usinas podem conduzir visitas virtuais imediatas e não anunciadas a alojamentos e frentes de trabalho. Isso permite verificar em tempo real as condições de segurança, higiene e salubridade, promovendo o engajamento dos fornecedores em práticas sustentáveis e assegurando o cumprimento da legislação trabalhista e ambiental.

Dessa forma, a solução transcende o suporte a máquinas e se torna um pilar para a gestão de riscos ESG (Ambiental, Social e Governança). Esta aplicação eleva o patamar do relacionamento, posicionando a empresa não apenas como compradora de insumos ou vendedora de equipamentos, mas como uma parceira tecnológica integral comprometida com a operação legal, ética e eficiente de todo o seu ecossistema.

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