Aterro de Salvador transforma lixo em energia e ganha mais anos de operação
Tecnologia de biogás permite geração de energia renovável e melhora o aproveitamento dos resíduos sólidos

A geração de energia a partir do lixo tem se consolidado como uma alternativa sustentável e eficiente para ampliar a vida útil de aterros sanitários.
Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), 60% do lixo urbano no país já têm destinação adequada em aterros sanitários.
“Os aterros sanitários são obras de engenharia que tratam o lixo de forma ambientalmente adequada e promovem o aproveitamento dos resíduos, gerando energia limpa”, afirmou Pedro Maranhão, presidente da Abrema.
Em Salvador, o Aterro Metropolitano Centro (AMC) é um exemplo desse modelo. No local, os gases liberados pela decomposição de resíduos orgânicos são transformados em energia limpa e renovável.
Administrado pela Bahia Transferência e Tratamento de Resíduos (Battre), o AMC recebe cerca de 3 mil toneladas de resíduos por dia, provenientes de Salvador, Lauro de Freitas e Simões Filho, atendendo aproximadamente 3 milhões de pessoas. Desde 2011, a unidade abriga a Termoverde Salvador, a primeira usina termelétrica a biogás de aterro sanitário do Nordeste.
A energia elétrica gerada no local é suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 200 mil habitantes e é injetada no Sistema Elétrico Nacional. O processo utiliza principalmente o metano e o dióxido de carbono resultantes da decomposição do lixo orgânico.
“No Aterro Metropolitano Centro, além da destinação ambientalmente adequada dos resíduos, há um processo de valorização energética que incentiva uma compactação maior do lixo para extrair mais biogás. Isso torna a operação mais eficiente e aumenta a vida útil do aterro”, explicou Danilo Laert, engenheiro eletricista e especialista em biogás.
Iniciativas como a do AMC contribuem diretamente para o enfrentamento da crise climática.
“A unidade atua como um instrumento de produção de energia limpa e renovável, sendo uma resposta concreta à emergência climática, além de contribuir para a saúde pública e a proteção ambiental”, disse Luis Sérgio Akira Kaimoto, engenheiro geotécnico e consultor do Banco Mundial.
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