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Bacalhau, memória e afeto: sabores que atravessam gerações

Entre receitas e lembranças, o bacalhau se transforma em símbolo de afeto e história

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Bacalhau com couve tronchuda Foto cedida: visitportugal.com

Já contei aqui no blog que carrego nas veias sangue português, além do italiano — traço que também marca a história de boa parte da população paulista.

Minha avó paterna, Mariza de Almeida, era filha do português Marcolino de Almeida, que desembarcou em Santos em busca de uma nova vida no Brasil. De lá, seguiu para Piraju, no interior paulista, onde construiu sua família e sua trajetória.


Ainda não estive em Piraju. Mas Vó Iza, como a chamávamos, deixou um legado inesquecível — especialmente na culinária e na confeitaria.

Bisa Maria e Biso Marcolino

Nesta época do ano, não poderia ser diferente: a casa da Vó Iza tinha cheiro de bacalhau e de chocolate. O famoso trecho da música “É uma casa portuguesa, com certeza” sempre me vem à memória.


Confesso: nunca gostei de frutos do mar, nem de bacalhau. Por isso, Vó Iza sempre fazia um prato especial para mim. Adivinha? Macarronada, claro.

Mas o preparo do bacalhau era único. Uma salada com couve tronchuda que encantava a todos. Papai e mamãe sempre se deliciavam na Páscoa.


Vó Iza sabia como agradar. E, claro, eu só pensava nos ovos de Páscoa. A casa dela, nessa época, era tomada pelo cheiro doce de chocolate. E, no domingo, vinha a melhor parte: a brincadeira de procurar os ovos espalhados pela casa.

Ela adorava presentear quem cruzava seu caminho ao longo do ano: o caixa do banco e os profissionais do hospital que cuidavam dela com tanto carinho.


Generosidade era sua marca — e gosto de pensar que herdamos isso dela.

Voltando ao bacalhau. Nesta época do ano, as lembranças aquecem o coração. Conversei com minha amiga Fernanda, que cuida da comunicação do Empório Quatro Estrelas.

Ao relembrar a história daquela família, também me emocionei. Pedi a ela, com carinho, um lombo de bacalhau caprichado.

Afinal, carrego com esse prato uma memória afetiva profunda — e meus pais e minha irmã irão saboreá-lo por mim. Estarei na TV, em mais um plantão da minha carreira, enquanto, em pensamento, me sento à mesa com eles.

Revirei fotos antigas e sorri.

Memórias de um domingo na casa da Vó Iza Foto: Arquivo pessoal

Olha só o que um alimento pode fazer na vida da gente.

O bacalhau pode não fazer parte do meu prato, mas está profundamente presente na minha história.

É memória afetiva. É laço. É raiz.

E você? Já parou para pensar como um simples alimento pode marcar a sua vida?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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